A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 29/11/2020
O governo de Juscelino Kubitscheck foi marcado por incentivos à expansão da malha rodoviária que culminaram, no presente, em impasses relacionados à mobilidade urbana. Nesse sentido, é lícito afirmar que há uma grande dependência de automóveis - como carros e motocicletas - sobre este modal, já que a locomoção dos indivíduos é limitada às estradas e, apesar de houverem outras formas de mobilidade, como o uso de metrôs, tal alternativa é restrita às grandes metrópoles. Dessa forma é necessário analisar os fatores que favorecem esse quadro, além da criação de medidas para solucionar a questão da mobilidade urbana no Brasil.
Em primeira análise, é importante salientar que o Brasil ainda não conseguiu se desprender da herança rodoviarista. Partindo desse pressuposto, a priorização desse modal em detrimento de outros - como o ferroviário e o hidroviário - fez com que eles fossem colocados em segundo plano, recebendo - consequentemente - menos investimentos. Nessa perspectiva, segundo uma pesquisa realizada pelo jornal O Globo, paulistanos levam em média 45 dias por ano presos em engarrafamentos no trânsito, reiterando, dessa maneira, as raízes de uma deficiente mobilidade urbana.
Outrossim, é imperativo pontuar o conceito de “modernidade líquida” do estudioso Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas devido a fluidez de valores, que resultam no aumento do individualismo. Sob essa perspectiva, a existência de impasses relacionados a problemas de locomoção nas cidades resultam - muitas vezes - em brigas de trânsito e discussões, que afetam diretamente a saúde mental e física dos indivíduos envolvidos. Nesse sentido, é possível afirmar que o desgaste causado por engarrafamentos e violência no trânsito, afetam diretamente o rendimento laboral do sujeito, uma vez que o indivíduo associa a ida ao trabalho com o estresse do trânsito.
Dessa maneira, medidas são necessárias para alterar o cenário vigente. Posto isso, empresas de prestação de serviço na área de transporte, como o Uber, devem ampliar o uso de patinetes eletrônicos nas cidades - que já é um serviço frequente em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão - a fim de incentivar o uso de meios de locomoção sustentáveis. Urge também que o Poder Público melhore aspectos do transportes de massa - como os ônibus - criando iniciativas que diminuam o preço das passagens para melhorar o acesso a tais meios e invistam na reforma estrutural dos ônibus, a fim de garantir uma locomoção segura e confortável. Só assim, a partir dessas ações, o Brasil poderá se desprender de sua herança rodoviarista.