A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 20/11/2020
O aumento dos estraves no fluxo de pessoas e mercadorias nas grandes cidades brasileiras traz à tona a discussão sobre a mobilidade urbana no país. Diante desse contexto, é necessário avaliar os principais fatores que conduziram a essa situação crítica, os quais são o descaso estatal no transporte social e a cultura de valorização do carro pela sociedade.
Em primeiro plano, é notório como a negligência governamental atua como sustentadora da precariedade do transporte público. De acordo com o Contrato Social, elaborado por Rousseau, é dever do Estado promover politicas que assegurem o bem-estar social. Entretanto, percebe-se que essa realidade não ocorre de maneira efetiva no Brasil contemporâneo, haja vista as poucas opções de transporte coletivo alternativos ao ônibus, além do sucateamento e da lentidão dos serviços ofertados atualmente. Desse modo, é nítido como essa falta de planejamento urbano configura uma quebra nesse Contrato e afeta indubitavelmente a vida dos habitantes dessas cidades.
Além disso, esse quadro também é ocasionado pela glamourização do carro pelo corpo social. Na atualidade, o carro é visto como símbolo de riqueza e dinheiro, sendo esse fenômeno explicado pelo conceito “fetichismo da mercadoria”, do teórico Karl Marx, que afirma que certos produtos tem seu valor utilitário esvaziado e substituído pelo valor de troca, o qual corresponde ao “status” que essa mercadoria agrega ao consumidor. Ademais, é importante compreender que essa preferência pelo uso do carro é intensificado pelo desejo de fugir dos transportes coletivos, que devido a incompetência estatal, encontra-se em um estado condenável para atender de forma digna os cidadãos.
Portanto, é de suma importância que medidas sejam tomadas a fim de resolver essa problemática. Para isso, os governos estaduais e municipais devem investir na revitalização dos transportes urbanos, especificamente ônibus e metrôs, os quais devem uma higiene e manutenção adequadas, com o objetivo de melhor atender os citadinos. Essas ações devem ser feitas por meio de parcerias entre o governo e empresas privadas, que serão concessionárias desses serviços. Ademais, é imprescindível que o Governo Federal promova palestras, por meio da participação de especialistas no assunto, que auxiliem na desconstrução da cultura “carrocêntrica”. Assim, espera-se que o Contrato Social seja reestabelecido e o fetichismo da mercadoria seja superado.