A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 16/11/2020
Ao escrever “Sou de um país do futuro, futuro que insiste em não vir por aqui”, o compositor Toquinho demonstra seu sentimento de desesperança em relação ao Brasil atual. Nesse sentido, ao observar-se a crescente crise da mobilidade urbana no Brasil, provocada pela consonância de uma histórica falta de planejamento com a precarização de transportes coletivos, comprova-se a validade dos versos do autor. Assim, é necessária uma atuação conjunta entre instâncias federais e estaduais, a fim de mitigar esse grave problema.
É fundamental destacar, de início, a pouca relevância atribuída à estruturação da redes de transportes ao longo da história. Isso foi evidente, principalmente, durante a segunda metade do século XX, na qual o governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek priorizou a industrialização e a instalação de ruas, avenidas e rodovias, as quais, contudo, foram criadas sem o devido planejamento arquitetônico e urbanístico. Posteriormente, com a Ditadura Civil Militar, repetiu-se as mesma postura: estímulo ao rodoviarismo sem a organização adequada do espaço urbano. Dessa forma, a crescente dificuldade de locomoção nas cidades decorre da atuação inconsequente de políticos que prezavam excessivamente pelo plano econômico, em detrimento da estruturação do meio citadino.
Ressalta-se, ademais, as degradantes condições que os transportes coletivos apresentam. Nessa perspectiva, é válido citar o documentário brasileiro “Perrengue”, em que o cotidiano de trabalhadores na cidade de São Paulo é apresentado sob um viés crítico em relação à locomobilidade. Nele, é possível perceber o grande descaso, por exemplo, com ônibus e trens, que, em razão da precarização, obrigam parcela significativa da população a utilizar automóveis particulares, aumentando, por conseguinte, o contingente de carros e motos no tráfigo, o que sobrecarrega o trânsito. Desse modo, a deficiente mobilidade urbana no país é um reflexo relevante do descompromisso das autoridades com a manutenção da integridade dos transportes coletivos, situação que precisa ser revertida urgentemente. Depreende-se, portanto, que a dificuldade de locomoção no espaço das cidades é um grave problema. Posto isso, com o objetivo de melhorar o fluxo de veículos e de pessoas nesse ambiente, é necessário que o Governo Federal - instância máxima de administração executiva - , junto a governos estaduais, promova uma revitalização da estrutura de transportes coletivos, além do incentivo aos demais modais, a exemplo do cicloviário. Isso deve ser feito por meio do aumento do planejamento urbano e do envio de verbas, as quais devem ser requeridas à Secretaria do Tesouro Nacional. Espera-se, a partir disso, que o Brasil possa ficar um pouco mais próximo de torna-se um país do futuro.