A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 06/01/2021

A constituição brasileira garante a todos os cidadãos o direito de ir e vir. Entretanto, no que se refere a locomobilidade, esse direito não está sendo concedido plenamente aos brasileiros. Nesse sentido, é essencial discutir os dois principais entraves para a atual crise de mobilidade urbana no Brasil: a falta de planejamento das cidades e a precariedade dos transportes públicos.

Em primeiro plano, é preciso analisar histórica e geograficamente o planejamento urbano no país. Desde a independência, as regiões Sul e Sudeste concentram grande parcelas dos investimentos e oportunidades de emprego, gerando assim, um crescimento desordenado das cidades. Somasse a isso a especulação imobiliária – que acarretou o maior deslocamento da grande massa até seus empregos-, a autossegregação e a política rodoviária de JK e têm-se o imenso fluxo de carros e pessoas contribuindo para a crise de locomoção.

Além disso, faz-se necessário expor a realidade do transporte publico nacional. Com a atual crise de econômica e de segurança pública, a sociedade civil não se sente estimulada a usar transporte coletivo. Isso pois, a qualidade do serviço é precária, o preço das passagens é exorbitante e a garantia de proteção é nula. Ademais, vale ressaltar a quantidade mínima de ciclovias, vias expressas e ferrovias nas cidades brasileiras, contribuindo assim, ainda mais com os congestionamento e desgaste dos bens públicos.

Tonar-se, portanto, urgente a ação do Estado nessa problemática. Primeiramente, cabe ao Ministério da Infraestrutura, em parceira com os governos municipais e estaduais, a criação de um plano de descentralização espacial e ampliação dos modais de transporte. Isso deve ser realizado por meio de leis que dediquem as áreas próximas aos centros operacionais para ocupação residencial, como também, leis que obriguem todos os municípios terem ciclovias e vias expressas. Em conjunto, deve-se ampliar e modernizar o sistema de segurança nos transportes públicos. Além disso, o Governo Federal deve atrair investimentos privados para aumentar a malha ferroviária, tanto para transporte de civis como de carga. Somente assim, a constituição será cumprida e haverá uma melhoria na mobilidade urbana do Brasil.