A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/11/2020
O documentário “Perrengue” alerta sobre o deslocamento caótico enfrentado pelos moradores do estado de São Paulo. Todavia, essa crescente crise da mobilidade urbana brasileira ocorre em escala nacional e é decorrente da falta de planejamento, em especial no que concerne ao modelo de transporte adotado e ao incipiente investimento em transporte público. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.
Vale ressaltar, em primeira instância, que o excesso de rodovias é nocivo para o transporte nas cidades. Sob esta ótica iminente, em 1956, Juscelino Kubitschek assumiu e iniciou o Plano de Metas, no qual um dos objetivos para garantir o desenvolvimento social era assegurar o transporte, com a construção de rodovias. Nessa lógica, esse rodoviarismo se mostrou incapaz de suprir a demanda nacional, uma vez que torna a população dependente do carro e, por conseguinte, o volume da frota torna o trânsito ineficiente. Dessarte, é medular reinvestir no deslocamento nas cidades para garantir que elas sejam resilientes.
Outrossim, o transporte em massa de baixa qualidade corrobora para agravar o problema. Consoante a isso, o IBOPE realizou uma pesquisa na qual 83% dos entrevistados disseram que reduziriam o uso de automóvel individual, caso houvesse uma alternativa de transporte público melhor preparada. De maneira análoga, inviabilizar o transporte público manipula o corpo social a comprar carros, porque, ao optar por rodoviarismo, a população é forçada a se locomover com veículos. Destarte, revela-se a imprescindibilidade de expandir as frotas de transporte público para que a mobilidade nas vias seja eficaz.
Portanto, com o fito de reduzir a compra de carros pessoais, o Ministério da Infraestrutura, responsável por promover o deslocamento urbano de qualidade, deve melhorar a integração entre as cidades, por intermédio do aumento de transportes de massa. Dessa forma, além de ampliar o volume de ônibus, as passagens seriam reajustadas para um sistema de troca, no qual embalagens de lixo acumuladas poderiam ser trocadas por passagens, o que facilita o acesso de todos e contribui para a permanência da limpeza e cuidado local. Assim, os problemas enfrentados em “Perrengue” cedem espaço para uma sociedade mais justa e igualitária.