A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 12/11/2020

No século passado, foi adicionado na constituição brasileira o direito de ir e vir para todos os cidadãos, garantindo, assim, a liberdade de locomoção. Porém, esse direito nem sempre é posto em prática, pois estudos apontam que vários fatores dificultam o seu exercício, evidenciando as dificuldades de mobilidade urbana no Brasil. Por um lado, há o crescente congestionamento das estradas e, por outro, a falta de infraestrutura para meios alternativos de transporte.

Como ponto de início, tem-se o modelo fordista de produção, introduzido no mercado por Henry Ford, e que foi o início da sociedade da produção em excesso. Atualmente, é possível ver esse modelo na quantidade exorbitante de carros particulares que estão em circulação, gerando muitos acidentes e baixas que poderiam ser evitados. Além da problemática física de superlotação, cabe pontuar o estresse emocional dos motoristas nessas situações, que podem sofrer atrasos para compromissos e são acometidos de problemas de saúde, como ansiedade e a poluição por excesso de gases liberados pelos automóveis.

Ademais, a preferência pelo veículo próprio é fruto da falta de infraestrutura urbana presenciada diariamente pelos brasileiros. Uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo, uma das mais afetadas pela problemática, revelou que 83% das pessoas cogitariam deixar o transporte particular em segunda opção, caso o público fosse de qualidade. Soma-se a isso a alta nos preços do transporte coletivo, sem apresentar melhorias na sua eficiência. Outrossim, o transporte cicloviário seria um ótimo meio de transporte, que caiu em desuso após a popularização dos carros, mas, atualmente, ele é extremamente perigoso, pois não há ciclovias para que os ciclistas andem. Sendo assim, os brasileiros que podem manter um carro ou moto próprios vão escolher faze-los, pois não há opções mais vantajosas para a substituição desses veículos.

Em suma, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira é um problema estrutural e que precisa ser resolvido imediatamente. Para solucionar essa questão, o governo deve construir ciclofaixas ao longo das rodovias, a fim de melhorar a locomoção e evitar acidentes desnecessários. Junto com essas construções, é indicado o reforço de sinalização adequada, para otimizar a solução. Quanto aos transportes coletivos, a inserção de novos horários de ônibus pelas prefeituras e a expansão das comunidades beneficiadas resolverão o problema. Ambos projetos devem ser postos em prática por meio de verbas governamentais e, se forem realizados como planejado, melhorarão a qualidade de vida do povo brasileiro, pois eles tornam realidade o direito de ir e vir.