A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/12/2020
Uma das esquetes de humor do programa “Zorra Total” ocorre dentro de um ônibus durante o momento de maior engarrafamento, uma das piadas mostradas foi o nascimento e envelhecimento de uma pessoa nessa situação. De fato, apesar da forma hiperbólica apresentada, esse cenário fictício demonstra como o congestionamento afeta na realidade a vida do cidadão. Nesse sentido, debater acerca da crescente crise na mobilidade é pertinente ao contexto urbano brasileira. Sobre essa perspectiva, é apropriado afirmar que a dificuldade em locomoção possui raízes históricas e é de responsabilidade do Estado reparar esse erro.
Deve ser pontuar, antes de tudo, que em 1950 o presidente Juscelino Kubitschek (JK) estabeleceu o Plano Nacional-Desenvolvimentista, em que uma das metas era fomentar a indústria automobilística do país, por isso determinou a expansão rodoviária. Nessa lógica, é válido afirmar que a mobilidade urbana tornou-se subordinada às estradas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o Brasil passou por uma explosão demográfica e aumentou mais de 130 milhões de habitantes em 50 anos. Logo, presume-se que as rodovias feitas na época de JK estão saturadas e não comportam mais a atual população brasileira.
Ademais, é de responsabilidade do Estado amenizar as consequências geradas pelo plano Plano Nacional-Desenvolvimentista. Dentre esses efeitos, é objetivo fundamental da República, conforme a Constituição Federal de 1988, garantir o direito de ir e vir. Por certo, uma vez que parte do território nacional ainda usa a mesma forma de mobilidade urbana desde 1950, o Estado assegura de forma limitada o cumprimento dessa parte da Carta Magna. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos na sociedade brasileira.
Torna-se evidente, portanto, que uma ampla mobilidade urbana tem que ser realidade no país. Assim, é necessário que o Ministério da Infraestrutura, com ações da união dos poderes executivos, amplie e revitalize as estradas, por meio da criação do projeto fixo de reestruturação das rodovias, com o intuito de aumentar a capacidade dos automóveis que elas podem comportar. Além disso, as empresas que investem no país precisam mudar os modais de transporte das suas mercadorias, por intermédio da implementação de trens comerciais, a fim de diminuir a demanda sobre as estradas. Enfim, a partir dessas ações, as piadas do Zorra Total sobre a mobilidade urbana estão distantes da realidade do país.