A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 06/11/2020

O artigo 5⁰, da Constituição Federal de 1988, defende o direito pleno de ir e vir de qualquer cidadão. No entanto, constata-se uma lacuna na garantia desse direito, uma vez que a mobilidade urbana, em grandes metrópoles do país, vem enfrentando uma crescente crise, o que, além de grave, torna-se um problema inconstitucional. Nesse contexto, a crise da mobilidade urbana é um desafio no Brasil, e persiste devido, não só ao consumismo, mas também à falta de infraestrutura.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o aumento descomedido da frota de carros no país. Nessa perspectiva, o conceito “sociedade de consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo, já que a população, atual, busca adquirir cada vez mais bens materiais, muitas vezes dispensáveis, com o intuito de saciar seus desejos ou aparentar ter mais poder aquisitivo. Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Nesse sentido, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, gerando, então o consumismo, que tanto prejudica o problema, dificultando sua resolução.

Outrossim, a falta de políticas públicas eficientes no transporte de massa, ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. De acordo com dados do Tesouro Nacional, hodiernamente, o investimento em infraestrutura é baixo e configura-se como o menor em 10 anos. Entretanto, sem infraestrutura adequada não há como convencer a população a utilizar o transporte público, que é a melhor forma de solucionar a crise da mobilidade urbana no país, além de ser sustentável, pois com o menor tráfego de veículos, há uma redução na poluição emitida por esses. Dessa forma, a priorização do dinheiro público em outros setores ou demanda atua como forte empecilho na intervenção do problema.

Convém, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Faz-se necessário, pois, que o Ministério da Infraestrutura, em parceria com o Ministério da Economia, direcione investimentos no setor de transporte público, por meio de verbas governamentais, que serão utilizadas para melhorar as frotas de ônibus e aumentar o número de ciclovias nas cidades. Ademais, serão feitos post em perfis oficiais sobre como evitar o consumismo, com intuito de que a população seja conscientizada e, assim, tente evitar essa prática. Espera-se, com essas ações, que a crise da mobilidade urbana deixe de fazer parte da realidade brasileira.