A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/09/2020
A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata um corpo social livre de problemas. Mas fora da ficção, o Brasil encontra-se em um campo moderno onde a crescente crise na mobilidade urbana persiste internamente ligada à realidade do país, seja pela carente qualidade do transporte público, seja pelo intenso incentivo à compra de automóveis na sociedade capitalista contemporânea.
Primeiramente, é importante destacar que a segurança e conforto disponibilizados nos transportes públicos são precários, apesar de serem uma opção de menores impactos ambientais e ocupacionais nas estradas, se configuram como uma problemática a ser enfrentada. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 83% dos entrevistados usariam os ônibus municipais se estes atendessem suas expectativas. Nesse sentido, é notória o contraste que se faz entre qualidade e necessidade.
Ademais, com a adesão do modelo produtivo Toyotismo na década de 70, as compras de automóveis cresceram significativamente, associados ao sistema de obsolescência programada e variação dos produtos, o que induz o cidadão a adquirir novos veículos em um curto espaço de tempo. Com isso, a quantidade de carros nas rodovias, tende a aumentar cada vez mais, haja visto que, o número de faixas para veículos alternativos não são uma realidade em todas as cidades, aliada a vida agitada e corrida das metrópoles que dificulta a aquisição de outros meios de mobilidade.
Portanto, cabe ao Governo Federal em conjuntura com as Prefeituras Municipais através da Política Nacional de Mobilidade Urbana promover o aumento da frota de transporte público nos centros urbanos bem como a garantia de sua qualidade. Outrossim, é necessária a construção de faixas exclusivas para ônibus em todas as metrópoles, assim como ciclovias e atuação da mídia propagandeando sobre a obtenção de hábitos que favoreçam o melhor fluxo nas rodovias. Assim, a sociedade idealizada por More se torna mais próxima e possível.