A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 01/09/2020

Historicamente, o principal eixo econômico do Brasil, no período colonial, era representado pela região nordeste, devido a monocultura de exportação do açúcar. No entanto, com a descoberta do ouro em Minas Gerais no século 18 houve o avanço para a região sudeste do país e além disso a interiorização do território com a construção das ferrovias. Desse modo, iniciou-se o processo de migração com o intuito de transportar mercadorias. Assim, a crescente crise na mobilidade urbana está relacionada a má gestão dos grandes centros urbanos e a desigualdade social existente.

A princípio, o crescimento desenfreado das grandes cidades somado a administração incorreta proporcionou o fenômeno da Macrocefalia Urbana. Isso é o processo em que há uma crescente populacional e industrial em um ambiente com muitos problemas sociais, como desemprego e violência. Assim, um dos principais reflexos dessa realidade é a crise da mobilidade urbana que ocorre por causa do aumento desordenado dos centros urbanos.

Nesse ínterim, no governo de Juscelino Kubischek em 1950 ocorreu a mudança econômica no Brasil, com a abertura para as multinacionais e o início do sistema rodoviário de transporte. Outrossim, o compositor Adoniran Barbosa com a música “Saudosa Maloca” expressa a desigualdade vivida em São Paulo graças ao crescimento da infraestrutura -derrubada das antigas casas para a construção de prédios, o término dos trilhos do trem para a abertura de avenidas- devido a migração de trabalhadores de diversas regiões para o sudeste. Esse processo, resultou em um grande número de trabalhadores que devido aos altos custos dos bairros centrais tiveram de morar em locais mais periféricos, dependentes do transporte público de má qualidade.

Finalmente, para realmente compreender a realidade da crescente crise da mobilidade urbana é necessário verificar a história do Brasil e buscar melhorá-la. Logo, é imperioso que o governo federal unido ao governo estadual invista financeiramente no transporte público dos grandes centros a fim de aumentar o contingente existente e a qualidade das rotas. Além disso, torna-se fundamental a reabertura gradual das linhas férreas com o transporte de mercadorias para diminuir o número de automóveis comerciais nas rodovias e impedindo o fluxo do trânsito nas cidades. Para isso, é importante  que o governo libere verbas para compra e/ou reforma das antigas rotas dos trens e de um período de modificação para as grandes empresas para que se adaptarem a transportarem a matéria prima até determinados locais, onde serão entregues as cargas para serem inseridas no trem. Somente assim, ocorrerá a efetiva modificação da estrutura arcaica de transporte que trará mais tempo livre aos trabalhadores fora das ruas, avenidas e rodovias.