A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 14/09/2020

Na série “Sex Education”, os personagens utilizam meios de locomoção, como o ônibus e a bicicleta, para se deslocarem de suas casas para a escola. Fora do universo cinematográfico, a narrativa não destoa da realidade brasileira, na qual o uso desses recursos faz parte do dia a dia da maior parte da população. Porém, apesar de sua importância, o sistema de mobilidade urbana ainda é negligenciado pelo Estado, sendo comum a falta de variedade de transportes e, como consequência, os congestionamentos, viés que prejudica, em essencial, as comunidades que vivem em periferias.

A priori, as grandes capitais brasileiras, ainda que tenham um grande contingente populacional, não investem em formas alternativas de mobilidade urbana. De acordo com o site “UOL”, o número de veículos individuais aumentou em 66,6% num período de dez anos. Tal cenário é uma consequência do uso massivo dos ônibus, o que gera a superlotação desses veículos e o desconforto das pessoas que precisam usá-los diariamente, visto que não há uma variedade de meios de transporte - com o pouco aproveitamento dos sistemas cicloviário e ferroviário, por exemplo. Logo, a compra de carros e motos passa a ser uma alternativa para fugir dessa aglomeração, mas acaba causando outro problema - o congestionamento, já que passa a ocasionar grande circulação de automóveis.

Em segunda análise, os indivíduos que vivem em periferias são os mais prejudicados ao usarem o transporte público. Com a abolição da escravidão e a modernização das capitais, a comunidade de negros libertos fora segregada dos centros das cidades e passou a ocupar as periferias, como o exposto pelo livro “Quarto de despejo”, em que a autora aborda sobre as dificuldades e a situação de miséria enfrentada pelos habitantes das favelas. A partir disso, outra problemática enfrentada é a deslocação dos trabalhadores que vivem nesses locais, em virtude da distância entre suas moradias e seus espaços de trabalho, o que resulta em grande gasto com passagens e o enfrentamento de uma jornada cansativa todos os dias, o que é piorado caso ocorram congestionamentos.

Portanto, medidas devem ser tomadas para promover a garantia da mobilidade dos cidadãos brasileiros. Para isso, é dever dos Governos Federal e Estadual impulsionar o uso de bicicletas, a partir da construção de mais ciclovias e ciclofaixas e da disponibilização de bicicletas públicas, com o cobramento de garrafas de plástico, por exemplo, para possibilitar o uso delas. Além disso, os dois órgãos também devem investir no sistema ferroviário, de modo que diminua o uso dos ônibus e garanta deslocamento mais rápido aos passageiros - principalmente aqueles que viajam de uma cidade até outra. Dessa maneira, o Estado não negligenciará mais essa questão que afeta a vida da maior parte da sociedade.