A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/08/2020

O Plano de Metas, idealizado pelo presidente Juscelino Kubistchek, teve como objetivo a industrialização e a modernização no Brasil e, nesse contexto, houve o surgimento das fábricas automobilísticas no país. A partir desse momento, os automóveis compõe, progressivamente, o cenário urbano, de modo a impactar a sociedade em diversos âmbitos. Dentre eles, destaca-se a poluição e a pertubação sentida pelos indivíduos e, por esses motivos, é de extrema relevância atenuar tal instabilidade na mobilidade  das cidades brasileiras.

A princípio, menciona-se o fato de que veículos motorizados eliminam gases poluentes, aspecto que pode comprometer a saúde da população e o meio ambiente. Um desses gases é o monóxido de carbono (CO), o qual tem grande afinidade com a hemoglobina -célula sanguínea que, normalmente, transporta oxigênio-, e, em função disso, pode causar desoxigenação dos vasos sanguíneos e asfixia. Além disso, o CO contribui para o aquecimento global, visto que ele destrói a camada de ozônio e aumenta o efeito estufa, mecanismos, inicialmente, naturais para manter o equilíbrio da temperatura na Terra. Dessa maneira, é evidente a necessidade de reduzir os automóveis nas vias urbanas.

Ademais, o filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida” defende que os traços  do mundo contemporâneo são as relações frágeis e a individualidade. Esses traços são visíveis nas ruas urbanas, uma vez que os motoristas, em seus veículos individuais, não reconhecem a situação do outro motorista, fator que, frequentemente, gera um panorama hostil no trânsito. Consequentemente, os acidentes de trânsito e a intensificação de danos psicológicos, por exemplo, passam a ser comumente observados nas grandes cidades. Portanto, o estresse e a antipatia caracterizam o perfil da população urbana, de maneira a provocar uma desarmonia social.

À vista dos argumentos abordados, discutir sobre medidas acerca de uma mobilidade urbana mais fluída é pertinente. Para tanto, a Receita Federal e o Ministério das Cidades devem cooperar juntos nessa questão. Cabe àquela destinar tributos, oriundo dos impostos de pessoas físicas, à rede de transporte coletivo para que essa planeje seu desenvolvimento e a amplie a todos os domínios urbanos, ou seja, não somente aos centros, mas também às periferias das cidades. Logo, tal serviço público proporcionará conforto e será acessível à população brasileira e, em sequência, modificará o cenário das ruas, compostas por carros predominantemente. Desse modo, espera-se corrigir o desequilíbrios ambientais, sanitários e sociais supracitados.