A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/08/2020

Em 1988, Ulysses Guimarães estabeleceu, no artigo 3° da Carta Magna, que a República deveria ser capaz de garantir o desenvolvimento nacional. Entretanto, décadas se passaram e por existir uma dificuldade com a mobilidade urbana no Brasil, os indivíduos estão distantes de ver a promessa do artigo 3° fora da teoria. Nesse sentido, essa situação é prejudicial a toda a sociedade, assim, demanda-se mais atuações de atores sociais e estatais. Nesse viés, essa problemática é potencializada não só pelo culto ao carro, mas também pelo modelo baseado em rodovias.

Em primeiro lugar, convém elucidar que o Brasil existe um culto ao automóvel. Nesse contexto, o filósofo Teodoro Adorno, desenvolveu o conceito de Indústria Cultural, em que a mídia tenta influenciar os gostos e decisões do indivíduo. Sob essa óptica, a preferência por carros é incentivada pelos discursos midiáticos constantes, como denunciado por Adorno, ocorre uma reafirmação de uma ideologia egoísta, tornando o carro bem supervalorizado e de extrema importância. Dessa forma, enquanto a escolha por transporte individual for regra, o Brasil continuará convivendo com o cenário de crise no trânsito.

Outrossim, vale ressaltar o ineficaz modelo baseado em rodovias. Sob esse viés, em 1955, o presidente Jucelino Kubitschek, preferiu investir no sistema rodoviário e motivou a população a adquirir automóveis, com a ideia de que sem os quais seria impossível locomover-se pela cidade. Nessa perspectiva, o modelo proposto por Kubitschek é excludente, já que promove a desigualdade social, visto que a compra desse bem econômico é restrita à minoria detentora de poder. Dessa forma, não é razoável que objetivando ser uma nação desenvolvida, a sociedade brasileira permaneça com essa realidade de exclusão, pois oferecer mobilidade inclusiva deve ver ser prioridade para o Estado.

Em suma, são inegáveis os prejuízos causados pelos desafios da mobilidade urbana no Brasil. Sendo assim, cabe as escolas estimular o censo crítico dos indivíduos, por meio de atividades engajadas com conteúdo lúdico, objetivando o protagonismo do cidadão para atenuar a manipulação do gosto evidenciada por Adorno. Além disso, cabe ao Governo Federal em parcerias público privadas, por meio de planejamento estratégicos promover, o modal ferroviário, a fim de desenvolver uma mobilidade inclusiva, além de desestimular o culto ao carro. Por conseguinte, caso essas medidas ocorram, os cidadãos brasileiros serão capazes de ver a promessa da Carta Magna fora da teoria.