A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/08/2020

Durante o governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek, houve um grande investimento no meio rodoviário, fator determinante para que esse modal seja predominante no Brasil. Tal panorama contribui para a hodierna crise no sistema de transporte nacional, seja por uma má estrutura dos meios de locomoção públicos, seja por uma insegurança que outros modais apresentam, fatores que propiciam um congestionamento do trânsito nos centros urbanos.

Concernente à temática do serviço precário dos transportes coletivos, há uma redução dos cidadãos que optam por esse serviço. Essa premissa demonstra um descumprimento com a legislação, visto que, em 2015, o transporte público foi estabelecido como direito social no Brasil, sendo dever do Estado garantir um sistema de locomoção capacitado para a população, todavia, há uma superlotação de ônibus e metrôs, más condições dos veículos, entre outros fatores, que promovem uma visão negativa do meio coletivo. Nesse sentido, o trânsito é acentuado pela falta de alternativas qualificadas de transporte, estabelecendo no país uma “carrocracia”, termo que designa uma quantidade majoritária de automóveis no país, e, desse modo, um caótico transporte de cidadãos por rodovias.

Ademais, a falta de conscientização social quanto a outros modais implica na insegurança que indivíduos possuem em utilizá-los. Essa assertiva tem como referência o ciclismo, que é uma alternativa para reduzir a crise no tráfego brasileiro, contudo, de acordo com o Painel da Mobilidade Segura, o número de multas aplicadas a veículos motorizados que se deslocam em ciclovias e ciclofaixas de São Paulo cresceu 62%, em 2017. Assim, o desrespeito social a esse meio promove acidentes com ciclistas e agressões físicas e verbais, realidade que dificulta a aderência a essa via de transporte que dispõem de benefícios para o trânsito e para o bem-estar do cidadão e do meio ambiente. Dessa maneira, é notória a necessidade de medidas interventivas.

Portanto, é imprescindível a adoção de ações que viabilizem a mobilidade no Brasil. Para tanto, o Ministério do Transporte deve garantir o cumprimento das necessidades sociais referentes aos transportes coletivos, mediante o investimento na frota de ônibus e em estações de metrô, como também financiar o aumento do meio ferroviário, com o intuito de reduzir a superlotação e gerar uma melhoria no estado desses veículos. Outrossim, as Secretarias de Mobilidade Urbana associadas com as escolas devem promover a conscientização quanto a relevância de outros modais como o ciclismo, mediante debates em sala acerca dos benefícios desse, além de investir na ampliação de ciclovias e garantir multas a infrações nesse meio de transporte. Logo, em divergência a política de Juscelino Kubitschek, diversos modais serão, gradualmente, ampliados para abranger a população brasileira.