A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 04/08/2020

Copenhage, cidade da Dinamarca, é considerada uma das cidades mais inteligentes do planeta, graças ao investimento em mecanismos sustentáveis para o bem-estar da população, como alternativas para o uso de carros e consequente melhora na mobilidade urbana. Em contraste, o Brasil, segundo a revista Época, apresenta 9 cidades entre os piores trânsitos do mundo. Diante desse contexto, é importante destacar os problemas históricos de desenvolvimento urbano no Brasil, além das principais dificuldades atuais no uso de transportes públicos  .

Inicialmente, cabe ressaltar que o perfil desenvolvimentista do Brasil, iniciado no governo JK, cujo lema era “50 anos em 5”, teve como prioridade - a partir da influência dos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria -  a criação de rodovias, para, dessa forma, ser um mercado consumidor da produção automobilística estadunidense, inspirada no estilo de vida norte americano. Tal forma de comportamento se baseia no capitalismo individualista e, nessa temática, estimula cada pessoa a ter seu próprio carro em detrimento do uso do coletivo. Essa realidade ainda existe na consciência da sociedade e é evidenciada, por exemplo, na pesquisa do jornal O Globo, na qual cerca de 60% da população prefere o uso de carros do que outro meio de transporte.

Somado a isso, ainda existe a falta de investimento em transporte público urbano, que evidencia vários problemas e desestimula a população a usar esses meios. Tal situação pode ser notada, na maioria das cidades do país, pela superlotação de ônibus e metrô. Dados do site G1 mostram que 77% da população acredita que esse é o principal problema do transporte coletivo. Além disso, existe  a falta de fiscalização e segurança que incomodam muitos passageiros. Para se ter uma ideia, os números de roubos em ônibus aumentaram cerca de 40% nos últimos anos. Essas problemáticas supracitadas também são fatores importantes para influenciar a comunidade a preferir o uso de automóveis.

Fica claro, portanto, que o Brasil tem graves problemas na mobilidade coletiva que impactam no aumento do uso de meios de transportes individuais. Por isso, é importante que o Ministério do Transporte, órgão responsável pela política de mobilidade no país, crie projetos que incentivem o aumento da infraestrutura de deslocamento coletivo, com o investimento em circulação de mais ônibus e metrô, além da segurança da população nesses meios, com a contratação de políciais e monitoramento por meio de câmeras, a fim de oferecer um transporte urbano de qualidade no país.