A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 02/08/2020

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia jurídica do Brasil- garante o direito de mobilidade aos cidadãos. No entanto, é cada vez mais perceptível uma falha no sistema de mobilidade nas cidades Brasileiras. Nesse sentido, é importante analisar dois aspectos: a urbanização desordenada e o baixo investimento no setor de transportes no país.

A priori, é necessário compreender as faces da urbanização brasileira. De acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, desde o começo das revoluções industriais no século XVIII, o crescimento das cidades ocorre de maneira muito rápida e incontrolável ao longo dos anos. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a crise de mobilidade é gerada pelo desordenamento das cidades, das quais em sua maioria não possuem infraestrutura, apresentam ruas estreitas e poucas vias de acesso, não assegurando os intensos fluxos de veículos. Assim, evidencia-se cada vez mais uma relação entre o processo de urbanização desordenado à crise de mobilidade no Brasil.

Outrossim, observa-se o baixo investimento governamental no combate da problemática. De acordo com o levamento feito pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) apenas 27% dos recursos destinados à mobilidade nos estados e municípios do Brasil foram utilizados nos últimos 10 anos. Dessa forma, fica evidente que existe uma deficiência na distribuição do dinheiro necessário para melhoria e desenvolvimento do transporte de indivíduos no território nacional. Isso ocorre por conta da falta de planejamento governamental para garantir a devida distribuição e utilização de recursos públicos nesse setor. Sendo assim, se agrava continuamente o processo de crise na mobilidade do país.

Infere-se, portanto, que mobilidade urbana no Brasil enfrente uma crise. Com isso, cabe ao Ministério da Economia conjuntamente ao Ministério da Infraestrutura, elaborar um pacote de investimentos e distribuição de capital para melhorar a mobilidade nas cidades brasileiras. Sendo assim, através da construção de rodovias, viadutos, túneis de acesso e corredores de ônibus - principalmente em capitais e cidades com população acima de 1 milhão de habitantes - será possível atenuar a crise vivenciada no sistema de mobilidade no Brasil.