A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 29/07/2020
A Constituição Federal de 1988 assegura, legalmente, o direito de ir e vir. No entanto, tal garantia é deturpada, visto que a crescente crise na mobilidade urbana impossibilita o seu pleno exercício. Esse cenário ocorre não só em razão do acréscimo de carros nas ruas, mas também pela ausência de ações governamentais visando uma melhor organização dos transportes públicos. Logo, é imprescindível a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar tais entraves e consolidar, de fato, os direitos constitucionais.
Em primeira análise, é importante observar os fatores que dificultam a mobilidade urbana. Nesse contexto, destaca-se a péssima estrutura dos modais de transportes públicos. Esse cenário lamentável, ocorre devido a ocupação acelerada e desordenada das cidades - caraterístico de países subdesenvolvidos. Sob respectivo olhar, é válido citar o filósofo Baruch Espinoza, o qual afirmava que afetamos as coisas e somos afetados por ela na mesma proporção. Assim, a partir do momento que a locomobilidade é negligenciada, essa gera consequências tanto no âmbito econômico quanto social, que levam ao aumento dos níveis de estresse e ansiedade.
Por conseguinte, o carro - símbolo do capitalismo - torna-se uma opção mais viável, visto que a locomobilidade é uma pauta ignorada pela maioria dos governantes. Essa realidade produz como resultado um aumento dos níveis da poluição atmosférica, ocasionada pela excessiva liberação de gases poluente proveniente dos automóveis. No entanto, de acordo com uma pesquisa do IBOPE, 83% dos entrevistados optariam pelo transporte público, desde que atendesse as suas necessidades. Dessa maneira, fica claro o apoio da população quanto a adoção de medidas do Governo que possam democratizar a mobilidade urbana.
Diante do exposto, é necessário que o Ministério da Infraestrutura, juntamente com empresas privadas, ampliem as linhas de ônibus e metrô, observando e focando nas áreas mais carentes de transporte, a fim de que uma maior parcela da população possa ser alcançada. Paralelamente, o Estado deve também disponibilizar o aluguel de bicicletas, que deverão estar posicionadas em pontos estratégicos nos grandes centros, no intuito de incentivar o seu uso no lugar dos veículos. Só assim, o direito garantido pela Constituição Federal será cumprindo na sua plenitude.