A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/07/2020

De acordo com o sociólogo Stephan Molyneux, a melhor maneira de medir o progresso de uma sociedade é através dos meios que a permite se locomover livremente, de acordo com suas próprias vontades. No Brasil, apesar de todas as crises econômicas e políticas, o poder de compra da população, em geral, aumentou, fenômeno este que pode ser visto pelo crescente número de veículos comprados nas últimas décadas. Entretanto, a explosão da frota veicular no país trouxe diversos problemas, que podem ser justificados pela infraestrutura das cidades e as falhas políticas públicas.

A principal razão da crise na mobilidade urbana é a estagnação logística das cidades. Enquanto os carros passaram por uma série de evoluções, como motores mais potentes, airbags e freios ABS, muitas ruas e estradas ainda são obsoletas e despreparadas para suportar o tráfico atual. Na cidade de Manaus, por exemplo, a incapacidade viária prejudica gravemente não só as vias, mas também a própria população: a enorme quantidade de valas, buracos e deformidades no solo impedem que a população transite, acarretando diversos acidentes e engarrafamentos. Ou seja,  a inércia governamental na administração das cidades resulta na impossibilidade da população de exercer seu direito de ir e vir.

Outro ponto fundamental a ser discutido é o fracasso das políticas públicas voltadas à crise no transporte. Ao longo dessa década, muitos Estados realizaram projetos com ênfase na restrição da circulação de automóveis, sem pensar nas consequências oriundas dessas medidas. No Estado de São Paulo, durante o mandato de Fernando Haddad, o governo construiu muitas ciclovias, de modo a desencorajar a circulação de carros particulares e estimular meios alternativos, como as bicicletas e os ônibus. Todavia, o transporte coletivo era extremamente deficitário e ineficiente, graças aos monopólios e a corrupção existentes no meio. Dessa maneira, a população ficou restringida de seus meios de locomoção e expostas à um péssimo serviço público.

Em suma, as adversidades enfrentadas pelos brasileiros diariamente no trânsito são conhecidas, motivadas pela incapaz infraestrutura das cidades e as falhas políticas públicas. De modo a resolver o problema, é necessário mais investimentos do Governo Estadual em obras de ampliação de vias circulatórias através de financiamentos do Tesouro Nacional, concomitantes com a desregulação do setor de transportes pela quebra do sistema de licitações público-privadas. Dessa maneira, os cidadãos terão a opção de se locomover autonomamente, assim como a possibilidade de usufruir um transporte público de qualidade.