A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 26/07/2020

De acordo com o físico Isaac Newton, ao postular a Lei da Inércia, um corpo em movimento tende a permanecer em movimento, mantendo a sua trajetória, a não ser que uma força externa atue alterando seu percurso. Assim como na física, a sociedade brasileira enfrenta um grande problema com a mobilidade urbana, que persiste sem que haja nenhuma alteração em seu percurso. Tal fato pode ser explicado pela falta de planejamento urbano e pela herança histórica do país. Para que o problema seja resolvido, ações devem ser feitas para interromper a continuidade dessa situação.

Em primeiro lugar, a falta de planejamento urbano contribui para a persistência do problema. A urbanização desenfreada, sem organização que se deu no Brasil desde o início do século XX, fez com que fossem construídas cidades sem os pré requisitos mínimos para que fossem alocadas toda a população e seus domicílios. Além do mais, ruas e estradas não foram construídas de modo a comportar o número de automóveis que circulam diariamente. Logo, nos dias de hoje vivencia-se o caos urbano, com muitos veículos circulando diariamente, na maior parte das vezes com apenas um passageiro. Somado a esse fato observa-se a poluição ambiental, sonora, estresse da população que gasta muitas horas para chegar ao trabalho.

Em segundo lugar, observa-se a herança histórica na utilização de rodovias ao invés de ferrovias para o transporte de cargas. No governo de Juscelino Kubitschek, nos anos 70, com a meta de modernizar o país, com o lema  “50 anos em 5”, foram priorizadas as construções da indústria automobilística e de rodovias. Concomitantemente, persiste a falta de estrutura para o transportes alternativos como bicicletas ou a pé, pois muitas cidades não têm ciclovias e calçadas adequadas para o pedestre circular. Tal situação pode ser exemplificada com o pensamento de Gandhi, ao dizer que “temos que nos tornar a mudança que queremos ser”, e a solução para a mobilidade, tem que partir de cada governo.

Portando, medidas devem ser tomadas para minimizar o problema da crescente crise da mobilidade urbana no Brasil. Para tal, os municípios devem implantar campanhas populares para estimular a utilização de transportes públicos, através da realização de palestras gratuitas ao público em geral, com a presença de especialistas em tráfego urbano, a fim de conscientizar as pessoas do uso de fontes alternativas de transporte, como bicicletas, ônibus e metrôs. Além disso, os municípios devem ofertar também, infraestrutura adequada para o trânsito dessas pessoas, com a construção de ciclovias e passarelas nos pontos críticos. Desse modo, o problema da mobilidade urbana pode ter seu percurso alterado no país.