A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 25/07/2020

O plano desenvolvimentista, proposto por Juscelino Kubitschek, favoreceu o modelo rodoviário de transporte e facilitou a instalação de indústrias automobilísticas no Brasil, em meados da década de 50. Esse cenário está intrinsecamente relacionado com a crescente crise na mobilidade urbana brasileira, tornando-se necessária a união do setor público, da sociedade e das empresas para melhorar a fluidez do trânsito. Nesse sentido, é relevante analisar tal quadro, o qual é impulsionado pela falta de estrutura para os transportes alternativos e contribuidor para o aquecimento global.

Em primeiro lugar, é possível conceber o diminuto tamanho da malha metroviária brasileira como um dos responsáveis pelo estímulo à aquisição de carros para a locomoção urbana, já que, com linhas escassas, trens desconfortáveis e antigos, grandes metrópoles apresentam opções pouco variadas de locomoção. A insuficiência de investimentos atinge também os ônibus – que circulam em estado precário – e os caminhos de pedestre, os quais apresentam perigo a deficientes, idosos e demais indivíduos com movimentação limitada, por conta das calçadas esburacadas. Assim, em busca de conforto e segurança, a população opta pela utilização dos automóveis, cuja frota dobrou nos últimos dez anos, segundo o Observatório das Metrópoles.

Outrossim, é imperativo pontuar que “a sociedade está serrando o galho em que está sentada”. Essa máxima dita pelo bacteriologista alemão Paul Ehrlich resume a hodierna circunstância, em que a grande frota de veículos colabora para o aquecimento global, já que a queima do combustível resulta em uma grave emissão de gás carbônico, que é um dos gases estufa, ou seja, em quantidade ultrapassada provoca o aumento da temperatura mundial, podendo ocasionar o derretimento de geleiras e a mudança do nicho ecológico de diversas espécies. Ademais, segundo o jornal G1, a pandemia do Covid-19 contribuiu para a redução das emissões de carbono, haja vista que o isolamento social apresentou como consequência a diminuição de veículos em circulação. Desse modo, é notório que a questão da mobilidade urbana abrange questões sociais e ambientais, sendo relevante a mudança de paradigma da situação atual.

A partir dos fatos supracitados, fica evidente a premência de intervenções no atinente à mobilidade urbana. Portanto, cabe às Secretarias dos Transportes Metropolitanos de cada estado melhorar a estrutura da metrôs e ônibus públicos, em parceria com as empresas privadas de transportes alternativos, por meio de maiores investimentos financeiros e fiscalização de funcionamento que garanta pleno bem-estar da população, com o intuito de desincentivar a busca pelo transporte individual e facilitar a locomoção urbana no Brasil.