A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/07/2020

O estilo de vida americano, também chamado de “American Way Of Life”, propagou-se durante o período entre guerras, influenciou praticamente todo o mundo e deixou marcas perceptíveis até hoje. O modelo pregava o alcance da felicidade, do bem-estar e a ideia de ascensão social por meio da aquisição de bens materiais, sobretudo o carro, que continua sendo considerado essencial para se viver bem. Assim, esse incentivo histórico à compra desses automóveis, em conjunto com a precariedade dos transportes públicos brasileiros, fizeram com que a quantidade deles nas ruas aumentasse de forma drástica e contribuíram com o agravamento do problema de mobilidade urbana nacional.

Nesse sentido, a herança cultural proveniente do “American Way Of Life” ainda se faz muito presente, visto que uma grande parcela da população brasileira se locomove diariamente por meio de carros próprios e tornam o fluxo cada vez mais complicado. Como exemplo, a cidade de São Paulo é um dos locais que mais sofre com os engarrafamentos, dado que os paulistanos passam até 45 dias do ano no trânsito, segundo a Folha de São Paulo. Além disso, no Brasil, os transportes coletivos são em quantidade insuficiente, estão extremamente degradados e não garantem a segurança dos passageiros.

Dessa forma, de acordo com a psiquiatra e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, os congestionamentos são capazes de gerar altos graus de estresse e ansiedade, que afetam a vida pessoal e laboral dos indivíduos de forma intensa. Somado a isso, quanto maior a quantidade de veículos em movimento, maior a taxa de emissão de gases de efeito estufa, com o CO2 e o SO2, que são extremamente prejudiciais ao meio ambiente.

Portanto, é necessário que o Governo Federal, em conjunto com os governos estaduais e municipais, realize iniciativas políticas que influenciem a redução da procura e compra desenfreada de carros. Isso deve ser feito por meio da limitação de propagandas e anúncios realizados por concessionárias nas várias mídias digitais, para que haja uma minimização da glamurização desses veículos - que ocorre desde a popularização do modelo de vida americano. Ademais, essa mesma parceria deve realizar investimentos em infraestrutura de transportes de massa, como ônibus e metrôs, sobretudo nos grandes centros urbanos, a exemplo de São Paulo, aumentando a quantidade e qualidade deles. Nesse sentido, as melhorias devem ser realizadas fazendo uso dos altos impostos cobrados da população, com o objetivo de possibilitar que mais pessoas utilizem esses meios de transporte com segurança, para que o trânsito seja mais saudável, tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente.