A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 20/07/2020
A imobilidade urbana
A falta de planejamento e a falta de investimento em obras e melhorias na malha de transporte brasileira, são os pilares de uma sociedade que se ergue para o caos da imobilidade urbana. Infelizmente, é nesse contexto precário e preocupante que se encontra o gigante verde e amarelo.
Nos artigos 5° e 6° da Constituição Federal, estão previstos os direitos de ir e vir e o direito ao lazer, respectivamente. Contraditoriamente, o Estado Brasileiro não consegue garantir esses direitos, uma vez que ao não propiciar um planejamento urbano eficiente, acaba interferindo diretamente no tempo que o cidadão teria disponível para realizar suas atividades de lazer. Desse modo, o cidadão brasileiro se vê literalmente “preso” a uma realidade em que precisa despender o pouco tempo livre que tem, para o seu deslocamento de ida e vinda para o trabalho. Nesse contexto, o indivíduo tem seu nível de estresse elevado e a sua qualidade de vida reduzida.
É uma analogia às cores da bandeira brasileira, que remete a uma solução para este problema: sustentabilidade. Se as pessoas começassem a ser mais sustentáveis, dando preferência a se locomoverem à pé, ou de bicicleta, o tráfego urbano diminuiria drasticamente, reduzindo e retardando a imobilidade urbana. É evidente que a população sozinha, sem o auxílio estatal, não será capaz de tornar este cenário ideal, uma realidade. Prova disso, é que de acordo com uma pesquisa feita pelo Ipea, 3,2% das pessoas que moram em grandes centros já usam a bicicleta para se deslocar para o trabalho. Isso mostra que não é apenas a vontade do cidadão que resolverá essa questão, uma vez que se essa atitude não for aliada à providências governamentais, só criará mais transtorno no trânsito. Afinal, bicicletas circulando fora da ciclovia são um problema, e não solução. Sendo assim, tendo em vista que o cidadão tem suas necessidades, como cumprir horário e visa também a sua segurança, precisa de facilidades para que possa efetivamente, fazer a sua parte.
Uma das características dos seres vivos, que garante a sobrevivência das espécies, é a capacidade que eles têm de se adaptar. Isto mostra, que mais uma vez mudanças e adaptações por parte da sociedade e também de seus líderes são necessárias. Urge que o Ministério da Infraestrutura crie por meio de verbas governamentais obras como grandes ciclovias por todas as vias das grandes cidades, e teleféricos a baixo custo para o deslocamento da população. Afinal, só assim será possível que o problema da mobilidade urbana no Brasil seja amenizado e aos poucos reduzido. Desse modo, o Brasil mudará seu curso que iria rumo ao colapso e estará caminhando para um futuro mais “livre” e sustentável.