A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 24/07/2020
Em um episódio de “Os Simpsons”, do autor Matt Groening, são retratadas aos telespectadores o aprisionamento dos protagonistas em um engarrafamento de uma via pública. Não obstante da ficção, o que foi descrito no seriado se relaciona com um problema da conjuntura brasileira do século XXI, em que a sociedade, de modo geral, possui a tendência de ignorá-lo: a crescente crise na mobilidade urbana. Desse modo, urge a necessidade de analisar como a negligência estatal e a preferência de usar veículos próprios fomentam e determinam o aumento de tal crise.
Primeiramente, há de constatar o descumprimento de algumas leis. Entre tais aspectos, a Constituição Federal de 1988 garante o acesso a um local que visa o bem-estar de todos. Entretanto, constata-se, no Brasil, a falta de políticas públicas que objetivam um aumento de transportes públicos para os habitantes, uma vez que tal forma de mobilidade implica em menos trânsito e poluição. Semelhantemente, o Ministério dos Transportes mostra que a taxa de superlotação em coletivos aumentou em cerca de 30% em 2 anos, o que pode levar algumas pessoas a não utilizarem tal forma de mobilidade. Nesse sentido, percebe-se que a carência de políticas públicas gera um novo desafio para sanar tal distúrbio na sociedade.
Em segunda análise, a questão do individualismo corrobora a persistência de tal problemática. Ao partir do exposto, de acordo com o filósofo Heidegger, o homem se constrói com suas interações. Analogamente, algumas pessoas podem preferir o uso do transporte individual por falta de espaço em outras formas de mobilidade e que, por sua vez, pode acabar levando ao aumenta da vigente crise. Sob esse viés, uma pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo evidencia que, em Campinas, o fluxo médio diário de veículos é próximo dos 80 mil, o que pode levar a um intenso congestionamento no trânsito. Dessa forma, percebe-se que o meio social influência as pessoas a utilizarem uma forma de mobilidade que gera mais crise.
Diante do que foi exposto, medidas fazem-se relevantes para mitigar tal problemática. Portanto, o Ministério dos Transportes, juntamente com as mídias e dentro das escolas, deve instituir projetos como o “Utilize transportes públicos ou alternativos para locomoção”, responsável por educar os estudantes e suas respectivas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e motoristas experientes, visando expor, debater e combater as consequências ocasionadas para a mobilidade urbana. Assim, será possível evitar o hediondo cenário apresentado no seriado de Groening.