A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 16/07/2020
O plano de Rodoviarismo implantado pelo presidente Washington Luiz em 1928, foi responsável pelas primeiras rodovias brasileiras, posteriormente, Juscelino Kubitscheck, na década de 1950, realizou maciços investimentos no âmbito rodoviário visando a atração político-econômica para o Brasil. Entretanto, atualmente, é notório um sistema de mobilidade urbana colapsado, com investimentos precários e incapaz de suprir o alto numero de carros. Logo, surgem dois desafios principais a serem mitigados: o descaso do estado em relação aos investimentos no sistema de rodovias e o predominante transporte rodoviário de cargas.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a importância da mobilidade urbana fluída e bem remunerada, permitindo o bem-estar social e a interação da população. No entanto, o Brasil enfrenta grandes adversidades em relação ao seu sistema modal, dentre elas a ineficácia de leis que promovem investimentos sobre o sistema rodoviário. Conforme a Lei da Mobilidade Urbana, promulgada em 2012, é obrigação do estado investir no mínimo 50 bilhões de reais em municípios e grandes cidades. Entretanto, tal lei não se demonstra eficaz, visto que, segundo o Detran ( Departamento Nacional de Trânsito), apenas 13 mil das 20 mil rodovias dos estados brasileiros receberam investimentos para a fluidez e qualidade nas estradas. Logo, isso demonstra o descaso estatal em relação à mobilidade.
Em segundo lugar, diante do exposto, é de suma relevância enfatizar a predominância do sistema rodoviário de cargas no Brasil. De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil detém o maior fluxo de transporte rodoviário de cargas no mundo, possuindo cerca de 62% da modalidade de transporte em caminhões e carretas. Logo, com tantos veículos pesados circulando pelas rodovias brasileiras, por conseguinte, corrobora para o colapso da mobilidade no que tange ao meio urbano e rural, promovendo o desgaste precoce das estradas e o congestionamento urbano. Assim sendo, urge a necessidade de ampliar o sistema ferroviário de cargas e o fluvial.
Portanto, visto que o sistema brasileiro de mobilidade está à beira de um colapso, medidas são necessárias para combater os desafios. A priori, o Ministério do Transporte deve criar projetos em conjunto com grandes empresas nacionais de engenharia rodoviária, visando investir em iniciativas privadas e estatais, promovendo a eficácia da Lei da Mobilidade Urbana não apenas em grandes cidades, mas em todo o território nacional, logo, reduzindo a probabilidade de uma crise universalizada. Além do mais, é necessário ao Governo Federal ampliar o sistema modal de cargas no Brasil, construindo rodovias alternativas para caminhões, reduzindo número de veículos pesados em grandes estradas sem gerar desemprego e também, a criação de ferrovias para transporte de cargas pesadas.