A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/07/2020

Na música “Construção”, do músico e dramaturgo brasileiro Chico Buarque, pode-se observar, em alguns de seus versos, um problema encontrado em muitas cidades no país: o trânsito, ocasionado pelo grande número de veículos. Logo, cada imprevisto no tráfego (retratado na música como a morte trágica de uma pessoa) faz com que o engarrafamento aumente ainda mais. Nesse contexto, é necessário que medidas sejam tomadas com o intuito de amenizar a problemática, que tem como consequências o crescente número de veículos e a falta de um planejamento urbano adequado.

Em primeiro plano, observa-se que, desde a chegada do primeiro carro no Brasil, em 1901, os veículos automotores se tornaram sinônimo de ascensão social. Entretanto, conforme o político e urbanista Enrique Peñalosa, referência devido a seus trabalhos como ex-prefeito de Bogotá, “a sociedade avançada não é aquela em que os pobres andam de carro, mas aquela em que os ricos usam transporte público”. Seguindo esse pensamento, nota-se a incapacidade do Estado em oferecer um transporte público e de qualidade para, assim, quebrar esse paradigma enraizado na sociedade.

Igualmente, salienta-se que, além dos transportes públicos ineficientes, não se encontram disponíveis outras alternativas para a locomoção nas cidades. Segundo uma pesquisa realizada pelo município de São Paulo em 2015, 59% das pessoas entrevistadas eram favoráveis à criação e ampliação das ciclovias e ciclofaixas. Assim sendo, indiscutivelmente, evidencia-se o potencial desses novos meios de mobilidade ainda pouco explorados pelo Estado.

Portanto, para que o desafio da mobilidade urbana deixe de existir no contexto brasileiro atual, é necessário um trabalho conjunto entre os Poderes Federais e Municipais. Cabe ao primeiro citado a ampliação nas taxas de concessão de crédito para veículos, decrescendo assim o número total carros em circulação. Já o município, deve ampliar os seus projetos urbanísticos, através de pesquisas com a população e com trabalhos de novos arquitetos e projetistas para, assim, poder se aperfeiçoar, e assim garantir um melhor aproveitamento do espaço urbano e garantindo maior bem estar social. Outras medidas devem ser tomadas, porém, de acordo com Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante para o homem ou nação”.