A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 23/07/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988 é direito fundamental do cidadão a livre locomoção no território nacional em tempo de paz. Entretanto, isso não tem sido tão bem assegurado no país, uma vez que a crise da mobilidade urbana é um dos maiores problemas das cidades brasileiras. Nesse sentido, vale destacar a cultura do carro, bem como a falta de infraestrutura dos grandes centros como desafios dessa crescente problemática.
A priori, é importante ressaltar que o fator primordial para a ineficácia da mobilidade urbana é a cultura do carro. Sabe-se que desde o governo de Juscelino Kubitschek, o os investimentos estatais são pautados no desenvolvimento do modal rodoviário e incentivo à aquisição de veículos automotores em detrimento dos meios coletivos. Dessa forma, tornaram-se comuns grandes frotas de carros nas cidades, em consequência disso, emergiram os congestionamentos frequentes, além da poluição ambiental e prejuízos financeiros que impactam diretamente na qualidade de vida dos cidadãos. Um exemplo disso é da greve dos caminhoneiros que ocorreu em 2018, a qual gerou grande caos econômico no país e evidenciou a forte dependência do Brasil a esse sistema.
Outrossim, é a infraestrutura dos grandes centros. Acerca disso, é imprescindível destacar que a ocupação territorial e o processo de urbanização do Brasil deram-se de maneira rápida, desordenada e extremamente concentrada nas cidades, assim como os polos industriais. Entretanto, esses não estavam preparados estruturalmente para a chegada de bens locomotivos e o inchaço populacional, uma vez que apresentam pouco espaço nas ruas, limitações para pedestres e ciclistas. Desse modo, veio à tona os desafios característicos das metrópoles brasileiras, como os engarrafamentos, acidentes e estresse, tal realidade presente no cotidiano dos cidadãos que residem e trabalham na cidade de São Paulo.
Dessarte, é evidente a necessidade de mudanças. Assim, cabe ao Ministério de Infraestrutura em parceira com os governos estaduais investir em transportes alternativos, tal como metrôs e ônibus modernos, bem como melhorar as malhas urbanas, criar calçadas cidadãs eficientes e ciclofaixas, através do dinheiro advindo dos royalties do petróleo, com o intuito de mitigar os problemas de infraestrutura urbana e diminuir a dependência cidadã de meios particulares. Além disso, cabe à mídia promover campanhas diárias acerca da utilização de modais públicos e suas qualidades, por meio de propaganda televisivas, com o objetivo de romper com a cultura do carro existente na sociedade. Logo, será possível assegurar o proposto pela Constituição Federal de 1988.