A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 04/07/2020

Na era JK, com o incentivo da entrada das indústrias automobilísticas no Brasil, inicia-se uma nova etapa da construção de estradas no país. Nesse contexto, é perceptível que a predominância do modal rodoviário advém de fatores históricos, mas que, na atualidade, tem demostrado sua ineficácia em virtude da falta de organização logística das rodovias. Nesse aspecto, é válido discutir as razões dessa problemática em relação a individualização no trânsito e da ausência da diversidade dos modais de transporte.

Em primeiro plano, é visível que a população opta pelo uso dos veículos individuais devido a carência de coletivos e ônibus de qualidade. Isso ocorre porque esses meios são desvalorizados pelos indivíduos que procuram mais rapidez e comodidade no deslocamento devido as estruturas precárias e a má distribuição deles nas áreas urbanas. Tal fato se reflete na violação da teoria do “Contrato social” do filósofo Jhon Locke, visto que o Estado não cumpre sua função de garantir um direito básico da população que, nesse caso, é o acesso a um transporte eficaz e seguro. Desse modo, é clara a importância desses modais na diminuição do fluxo do trânsito e, consequentemente, do tempo de locomoção e dos acidentes.

Além disso, a supressão da diversificação dos modais também é um dos fatores que acarreta a crise de mobilidade urbana. Isso acontece porque o Brasil é dependente do modal rodoviário, o que provoca o aumento da quantidade de veículos nas estradas. Prova desse fenômeno estão nos dados divulgados pelo G1 notícias, em que o Brasil possuir a maior concentração de transporte de cargas e passageiros das principais economias mundiais, com a composição de 58% de rodovias. Dessa forma, é preciso que as autoridades promovam maiores investimentos na variação dos meios de deslocamento para que o país se torne mais econômico e independente no escoamento das mercadorias e das pessoas.

Fica claro, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas inovadoras. Cabe ao Estado, em parceria com o Ministério dos Transportes, investir na implantação de mais ônibus e coletivos, com o uso limitado de pessoas, através dos mecanismos de rodízio diário, objetivando a redução da superlotação desses automóveis, garantindo, assim, maior segurança e conforto à população para que se diminua a demanda de veículos individuais nas rodovias. Ademais, é essencial também que esses órgãos amplie a logística dos modais, por meio da implantação de metrôs, com o intuito de reduzir os gastos com a manutenção das estradas nas áreas urbanas, a fim aumentar a disponibilidade de capital para investimentos em outros tipos de modais,garantindo, com essas ações, a desconstrução da visão negativa dos transportes públicos pelos cidadãos.