A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/09/2020
O desenvolvimentismo econômico que o Brasil viveu durante o mandato de Juscelino Kubitschek priorizou o investimento nos setores de transportes e energia, na indústria de base (bens de consumos duráveis e não duráveis), na substituição de importações, destacando a ascensão da indústria automobilística. Consequentemente, houve um aumento significativo no número de veículos transitando pelas cidades. Hodiernamente, tal fato culminou na crescente crise de mobilidade urbana no Brasil. Entre os fatores que geram essa crise estão a ascensão do capitalismo e do consumismo e os precários transportes públicos do país. Essa realidade constitui um desafio a ser resolvido não somente pelos poderes públicos, mas também por toda a sociedade.
É válido reconhecer, a princípio, que o capitalismo aliado ao consumismo exacerbado gerou uma imensa frota de veículos nas grandes cidades. Entre 2008 e 2018 foram acrescidos à frota brasileira um total de 28,6 milhões de automóveis e 13,7 milhões de motocicletas. É o que aponta o Mapa da Motorização Individual no Brasil 2019, realizado pelo Observatório das Metrópoles. Sendo assim, é possível notar um alto número de veículos sendo adquiridos pela população. Logo, percebe-se um consumismo exagerado por parte do povo, o que acaba gerando um grande fluxo de veículos nas ruas.
Ademais, é válido ressaltar que o transporte público no país é precário. Sem prioridade no espaço urbano, viagens em transporte público no Brasil estão entre as mais demoradas no mundo, diz levantamento do Moovit. De um modo geral, o transporte público no Brasil é considerado ruim e ineficiente, com passagens caras e ônibus frequentemente lotados, veículos em condições ruins, além do grande tempo de espera nos pontos de ônibus e metrô.
Portanto, fica evidente que realidades alarmantes como essas urgem mudanças. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do jornalista irlandês George Shaw que disse que o progresso é impossível sem mudança. Para que possamos reduzir a frota de veículos trafegando, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, faça com que a população utilize menos veículos individuais, através de melhorias nos transportes públicos, mediante investimentos destinados a isso. Só então, será possível reduzir os engarrafamentos e tornar o trânsito mais fluído.