A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 29/06/2020
No Brasil, durante a Era Populista (séc. XX), Juscelino Kubitschek, então Presidente da República, por meio de seu Plano Desenvolvimentista, também conhecido como ‘‘50 anos em 5’’, proporcionou a instalação de montadoras automobilísticas no país e, dessa maneira, de certa forma, os automóveis tornaram-se mais presentes no cotidiano do brasileiro. No entanto, a infraestrutura do país não foi capaz de acompanhar a elevada remessa de meios de transporte no trânsito, corroborando, atualmente, uma crise de mobilidade urbana no país. Nesse sentido, é válido analisar as principais causas e consequências dessa problemática.
Em primeira análise, vale destacar que o modalismo, ou seja, a prioridade na escolha, de automóveis evidencia a idealização popular de que veículos motorizados são as únicas opções quando se trata de deslocamento urbano no país. Seguindo essa linha de raciocínio, Anthony Giddens, filósofo e sociólogo contemporâneo (1938-2016), por intermédio de seu livro ‘‘A Versatilidade Pública’’, ressaltou que o indivíduo é diretamente influenciado pelas estruturas do cotidiano. Por conseguinte, torna-se claro que a indisponibilidade de opções para meios de transporte não motorizados é um fator que, certamente, tem influencia negativa para crise supracitada.
Ademais, entre atrasos, congestionamento e outras consequências da destoante mobilidade urbana no Brasil, o efeito psicológico individual ganha destaque, visto que transtornos como estresse e impaciência no trânsito impulsionam maiores casos de transtornos nas cidades brasileiras. De acordo com pesquisas realizadas pelo portal do CONTRAN, 28% das fatalidades no trânsito registradas pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro) em 2018, tiveram como principais motivos brigas entre pedestres e motoristas, ou ambos personagens. Desse modo, torna-se claro que tais consequências têm impacto não só no deslocamento, como nas relações sociais e de segurança pública.
Portanto, para que a ideia de Giddens não seja apenas uma proposição teórica, mas torne-se realidade, é necessária ação do Governo. Dessarte, o Poder Executivo, juntamente aos órgãos nacionais de trânsito, como o DETRAN, deve, mediante acordos com empresas de mobilização sustentável, como Bio Bike e Ergo Speed -distribuidora de bicicletas e fábrica de patinetes elétricos, respectivamente- proporcionar opções de escolha, com preços acessíveis, para a população ser estimulada a optar por tal meio de transporte. Ação que, realizada com sucesso, poderá elucidar o modalismo automotivo no país e, de certa forma, frear