A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 25/06/2020
Com o processo de globalização, iniciado a partir das grandes navegações do século XV, houve uma intensa integração entre os diversos países do mundo e ,por conseguinte, o aumento do êxodo rural e o desenvolvimento dos meios de traslado. Contudo, hodiernamente o deslocamento citadino enfrenta crescentes entraves, fomentados sobretudo pela pressão de consumo exercida pela indústria automobilística, bem como pela negligência municipal em relação á políticas de mobilidade.
Convém ressaltar, a priori , que a alienação exercida por intermédio de campanhas publicitárias do empreendimento automotivo é um dos fatores que interferem diretamente na locomotividade urbana. Acerca disso, durante o governo de Juscelino Kubitschek os modais rodoviários foram amplamente incentivados e consolidados.Nesse contexto, enraizou-se na sociedade brasileira uma cultura em que o veículo motorizado individual é supervalorizado e indicativo de ascensão e classe social.Por consequência, vê-se o aumento da poluição atmosférica, sonora e do ecossistema (através do descarte inadequado de milhares de pneus e peças em desuso), além disso, a elevação exponencial do número de acidentes que suscita a sobrecarga do sistema de saúde pública e da previdência social.
Outrossim, cabe salientar que a inoperância dos municípios está intrinsecamente relacionada com o não exercício pleno do direito constitucional de ir e vir. Nesse âmbito, um levantamento do Ministério das Cidades aponta que apenas seis a cada cem urbes brasileiras apresentam um plano de mobilidade urbana, requerido pela lei 12.587/12. Desse modo, os civis se deparam constantemente com a escassez e precariedade de transportes coletivos, preços abusivos, calçadas irregulares, falta de sinalização e ciclovias para pedestres e ciclistas, e ainda a falta de segurança para grupos como mulheres, negros, homossexuais e transexuais ao recorrerem aos modos de trasladação público . Logo, há um aumento da recorrência a automóveis particulares, o que acarreta congestionamentos.
Portanto, ações orquestradas são imprescindíveis para mitigar os obstáculos supracitados presentes no processo de deslocação nas cidades. Nesse ínterim, compete á Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana em parceria as prefeituras municipais, criar um projeto que por meio de rendas governamentais, vise a adequação das calçadas, a iluminação pública e a criação de ciclovias e ciclofaixas a fito de oferecer acessibilidade e segurança a todos os cidadãos.Também a disponibilização de mais trens de superfície, metrôs e ônibus de combustível limpo equipados com câmeras para evitar assédios e descriminações . Destarte, poderá haver uma valorização dos modais populares e ,com base na primeira lei de Newton, essa problemática sairá da inércia .