A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 21/06/2020
Alcântara de Vasconcellos, engenheiro e urbanista, elucidou que a literatura mais antiga compreendia a mobilidade urbana sob um prisma quantitativo do número de viagens que o indivíduo realizava no traçado urbano. No entanto, essa compreensão tornou-se obsoleta, uma vez que percebeu-se a necessidade de inserir em tal análise a qualidade de como esses deslocamentos são processados. Nesse sentido, é de suma importância entender a questão da crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Desse modo, nota-se, não só uma dissonância perante o que está estabelecido na Constituição e a realidade exposta, como também uma falta de alinhamento com implicações ambientais.
A princípio, o filósofo Henrique de Lima, na obra “O Enigma da Modernidade”, expõe que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se traçar um paralelo entre a Constituição de 1988- a qual assegura que é dever dos governantes garantir um ambiente equilibrado destinado a todos os cidadãos- e o cenário relacionado à mobilidade urbana que fomenta outra realidade, seja pela precariedade da situação dos transportes públicos, seja pela inoperância das políticas públicas associadas à acessibilidade urbana. À vista disso, percebe-se uma não consonância ante os dispositivos da Carta Magna e a narrativa factual.
Outrossim, de acordo com os dados publicados pelo anuário de 2017 da Confederação Nacional de Transportes, existe um carro para cada quatro brasileiros, ao passo que percebe-se a necessidade de aliar a mobilidade urbana com a sustentabilidade. Essa associação, no que lhe concerne, depreende-se da importância ambiental de diminuir a quantidade de gases expelidos, nesse contexto, dos automóveis, relacionados com o aquecimento global. Dessa maneira, nota-se que a circulação ostensiva de transportes individuais, além de prejudicar a acessibilidade do indivíduo, devido aos possíveis engarrafamentos de trânsito na malha urbana, contribui para o desequilíbrio ambiental.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva programas sociais, por meio de verbas governamentais, com o intuito de mitigar a crise na mobilidade urbana do Brasil. Assim, é imprescindível que esses programas sejam feitos da seguinte forma: valorizar o transporte coletivo com a ampliação da frota de ônibus, mediante a utilização de um mapeamento logístico das vias urbanas; realizar, aliada à mídia televisiva, campanhas publicitárias que demonstrem, com depoimentos de urbanistas, a importância da utilização do transporte público para diminuir os engarrafamentos e para melhorar o meio ambiente. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas relacionados a essa questão.