A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 30/07/2020
Assim como no documentário “Perrengue - O desafio da mobilidade em São Paulo”, que exemplifica os transtornos gerados pela crise na mobilidade urbana atual, através de entrevistas, estas que acompanham a trajetória de quem sofre de estresse e cansaço além de apresentar a má qualidade de vida das pessoas que enfrentam diariamente tal barreira, a hodierna população brasileira, de acordo com a AND (Associação Nacional dos Detrans), têm um automóvel para cada 4,4 habitantes, logo, pela falta de infraestrutura dos transportes públicos como ônibus e metrôs, a quantidade de carros particulares tendem a aumentar, devido o seu conforto e velocidade, para assim evitar atrasos, contudo gerando aglomerações, pois todos agiram uniformemente na compra de automóveis.
Mormente, é apropriado citar o discurso do sociólogo Zygmunt Bauman: O progresso, em suma, deixou de ser um discurso que fala de melhorar a vida de todos para se tornar um discurso de sobrevivência pessoal. Logo, compreende-se que pela escassez de investimentos e alargamento das ruas, priorizando os modais (são os tipos de transportes assim como o ferroviário, hidroviário, aéreo dutoviário e rodoviário, neste caso, os transportes rodoviários), os pedestres perdem espaço, excluindo aqueles que estão no meio do “progresso”, ainda criando ilhas de calor como também o aumento da poluição.
Ademais, é conveniente manifestar que a crescente crise na mobilidade urbana requer alto apoio de investimentos, porém de acordo com a NTU (Associação Nacional das Empresas dos Transportes Urbanos) “Só 0,01% do Orçamento Federal vai para o transporte coletivo urbano”. A pouca participação política agregada à ausência de medidas que reduzem a quantidade de veículos nas ruas bem como a conscientização de outros meios de locomoção, por exemplo bicicletas, consequentemente são gerados grandes engarrafamentos devido a jornada de trabalho semelhante entre as pessoas e tais fatos citados, que desde o início da industrialização brasileira vem se agravando, por isso, medidas devem ser realizadas para que as cidades tenham melhor infraestrutura e qualidade de vida para seus moradores.
Torna-se evidente, portanto, que o estorvo social que acomete a saúde e o deslocamento é a crise na mobilidade. Assim sendo, cabe ao Governo Federal implementar uma Lei permanente, que por meio dela, existisse a possibilidade do rodízio de carros, com a placa de final par, podendo circular nos dias pares. Os carros com placas que terminam em número ímpar, poderão circular nos outros dias, tal qual no período atual do Covid-19, porém tal decreto é provisório. Ainda, o alargamento das calçadas e das ciclovias, incentivando o acesso alternativo para a redução considerável dos automóveis.