A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/05/2020
No ano de 2015, a prefeitura de São Paulo inaugurou a ciclovia da Avenida Paulista. A Associação dos ciclistas urbanos de São Paulo mostra que, em 3 meses, o número de ciclistas que utilizam a avenida dobrou. Apesar disso, parte expressiva da atual sociedade brasileira, devido ao sedentarismo, mostra-se incapaz de contribuir com o aprimoramento da mobilidade urbana, como a ação realizada pelo prefeito de São Paulo, ocasionando o uso discrepante de carros e, consequentemente, aumento no índice de aquecimento global. Diante disso, o persistente uso de automóveis precisa ser desconstruído em todos os segmentos sociais.
A princípio, a dificuldade de transladação se mantém associada ao sedentarismo, tendo em vista que o indivíduo sedentário faz uso de veículos automotores até mesmo em pequenos trajetos. Sob essa vertente, o epidemiologista Carlos Dora, coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que a dificuldade de locomoção nas avenidas brasileiras está intimamente ligada à saúde. Semelhante conduta abusiva sobre o uso de automóveis, constatada por Carlos Dora, se manifesta, sobretudo, nas capitais brasileiras, cujo a grande quantidade de veículos automotores é um fator decisivo na falta de mobilidade urbana. Dessa forma, é necessária a adoção do uso de bicicletas por parte dos indivíduos, principalmente dos grandes centros urbanos.
De outra parte, a socióloga Hannah Arendt, por meio da teoria da Banalidade do Mal, demonstra que a negligência a qualquer problema, como o persistente uso de automóveis, pode desencadear um caos. Em face disso, tal preceito assume contornos específicos no Brasil, onde os indivíduos, além do descaso com a saúde, não se preocupam com os fatores climáticos, que são prejudicados, devido a emissão de monóxido de carbono pelos veículos. A exemplo disso, cita-se o relatório apresentado na COP 24, em Katowice, Polônia, onde consta que o setor de transporte contribui com um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa e é a área em que as irradiações de carbono mais crescem desde 2000. Nesses termos, percebe-se a coerência de Hannah Arendt ao determinar a conduta indiferente do indivíduo como a principal causadora da desordem.
É urgente, portanto, a mobilização dos atores sociais diante da crise na mobilidade urbana instaurada no Brasil. Para tanto, as prefeituras, com o auxílio do Ministério da Infraestrutura, devem promover um plano de diminuição do uso de automóveis, bem como aproximar homem, natureza e saúde - como a semana do ciclismo - nos quais se ensinem a desconstruir o sedentarismo e a diminuição da emissão gases do efeito estufa, a fim de conter essas condutas. Por fim, tais ações serão decisivas para que iniciativas, como a da prefeitura de São Paulo, sejam verdadeiramente decisivas.