A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/05/2020

Sucessos de bilheteria como “Carros” e “Velozes e Furiosos” mostram que a velocidade proposta pelos automóveis fascina pessoas de todas as idades. Entretanto, atualmente nas cidades brasileiras, o carro individual como transporte não é mais sinônimo de agilidade no deslocamento, sendo a mobilidade urbana um grave problema no Brasil. Nesse contexto, cabe avaliar como os congestionamentos e o desejo pela compra do automóvel são fatores que contribuem para tal questão.       É fato que os engarrafamentos geram sérios transtornos para muitos brasileiros, ameaçando a produtividade e qualidade de vida dos mesmos. Nesse viés, tal problema existe porque, diante do inexpressivo incentivo governamental, constata-se pouco desenvolvimento dos sistemas de transporte urbano, sobretudo em melhorias para que o transporte coletivo e por meio de bicicletas fiquem mais atrativos, pois são alternativas de deslocamento que causam menos aglomerações no trânsito, em comparação com os automóveis. Com efeito, o atraso em mais de um ano nas obras do BRT de Campinas, noticiado no site G1, mostra que falta atenção ao setor. Como resultado, sem opções, os usuários optam pelo uso do carro pessoal, causando engarrafamentos quilométricos.

Além disso, é inegável que o automóvel é um desejo de consumo de um grande número de brasileiros, e essa fascinação é um fator que contribui para que mais veículos sejam comprados e façam parte do trânsito das cidades. Isso acontece, entre outros fatores, porque, historicamente, o carro foi associado ao status pessoal, sendo um sonho compartilhado por muitas famílias. Certamente, esse fenômeno é global e pode ser observado desde o surgimento da corrente artística futurista, vanguarda que exaltava a velocidade proposta pela modernidade e pelos carros. Consequentemente, os brasileiros continuam com esse ideal de consumo, mesmo com as dificuldades de tráfego nas cidades.       Portanto, é necessário que problema da mobilidade urbana seja confrontado no Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional, via Lei Orçamentária, a ação de promover o aumento da frota e melhoria dos veículos de transporte público, a construção de ciclovias, bem como a definição de faixas exclusivas para ônibus e de ciclofaixas, em cidades com mais de um milhão e meio de habitantes, com a finalidade de aumentar e melhorar as alternativas de tráfego para os usuários. Outrossim, o Governo Federal deve divulgar os avanços junto à mídia, por meio de campanhas publicitárias e promoção em programas de televisão, com a finalidade de motivar os brasileiros a abrirem mão do uso do veículo individual. Assim, os habitantes das cidades descobrirão que o carro pessoal, ao contrário da ficção, não é mais a melhor alternativa frente à agilidade do mundo real.