A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 04/05/2020
Na década de 60, o presidente Juscelino Kubistchek, motivado pelo capital internacional de indústrias automobilísticas, promoveu a adoção do Modelo Rodoviarista, ou seja, construção, ampliação e a melhoria das rodovias. Entretanto, hodiernamente, o crescimento urbano desordenado, juntamente com o aumento da frota veicular, desencadeou a crise na mobilidade na mobilidade urbana brasileira. Nesse sentido, é válido analisar a ausência de infraestrutura da rede de transportes e a persistência veicular unimodal como elementos que intensificam a deficiência na mobilidade social no país.
Diante dessa conjuntura, cabe pontuar que a falta ou a ineficácia de projetos de planejamento das cidades em meio a urbanização, gerou um déficit na base da organização do sistema de transportes,ocasionando a presença de ruas estreitas e a escassez de modais alternativos. Nesse contexto,consolida-se o pensamento do filósofo Aristóteles,que em sua obra Política,relata que é responsabilidade do Estado,por meio de mecanismos políticos,garantir o bem-estar social. Contudo,o governo brasileiro se torna negligente em relação a melhoria do sistema,promovendo condutas ineficientes.Desse modo,a crise no modelo rodoviarista,propicia a superlotação dos utilitários,que podem originar atrasos e problemas psicológicos nos indivíduos.
Outro fator motivador, a ser considerado, é o individualismo presente na sociedade,que contribui com a constância veicular unimodal,devido a baixa qualidade do transporte público e jornada de trabalho inflexível,favorecendo o transporte individual. À luz dessa ideia,torna-se notório a ideologia do sociólogo polonês Zigmunt Bauman,no qual descreve que o sistema socioeconômico vigente subverte o sentimento empático,acarretando uma grande individualidade que ameaça as gerações futuras.Com efeito,ocorre o aumento do fluxo de veículos,juntamente com os engarrafamentos,acidentes e a poluição,prejudicando a saúde da população.
É necessário,portanto,promover ações as quais alterem esse quadro.Logo,cabe ao Ministério da Infraestrutura,órgão responsável pelas políticas nacionais de trânsito e de trânsito e de transporte,estimular o uso de veículos coletivos ou alternativos,como ônibus e bicicletas,pela população,por meio de campanhas,a fim de proporcionar praticidade e segurança aos usuários.Ademais,é dever da mídia,como mediadora do conhecimento,estimular na população o respeito as políticas de “rodízio de placas” dos carros e na adoção de hábitos mais conscientes,como a “carona solidária”,por intermédio de ficções engajadas,como séries e filmes,com o intuito de diminuir o número de veículos nas ruas.Dessa maneira,será possível minimizar o impasse que envolve a mobilidade urbana no Brasil.