A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/05/2020
O documentário “130 km - Vida ao extremo” narra o cotidiano de quatro pessoas que moram na periferia de São Paulo e diariamente necessitam se locomover até ao centro da cidade para trabalharem. Nesse percurso enfrentam diversos problemas como atrasos, ansiedade e estresse, advindos do trânsito e da mau qualidade dos transportes públicos. Infelizmente, os desafios encarados na locomoção desses paulistas e do resto dos brasileiros tendem a piorar gradativamente, devido à crescente crise na mobilidade urbana do Brasil.
Antes de tudo, vale ressaltar que os impasses que afligem o direito de ir e vir da população brasileira têm um de seus pilares no rápido processo de urbanização que o país sofreu. Durante a segunda metade do século XX, o cidadãos migraram do campo para à cidade, motivados pelas oportunidades de empregos que a contemporânea industrialização proporcionava. Nesse contexto, a indústria automobilística estava em crescimento e o Juscelino Kubitschek, até então presidente, oferecia incentivos à compra de automóveis. Certamente, esses fatores fizeram o espaço urbano entrar em colapso, já que não havia estrutura o suficiente para receber tantos.
Nota-se que tal crise perdura os anos e muito pouco foi feito para tentar reverter a problemática. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, em 2016 a frota de automóveis havia crescido 400% nos últimos 10 anos e a construção de vias para transportes alternativos e melhoria do sistema público de locomobilidade não acompanhou essa porcentagem. Consequentemente, as ilhas de calor, emissão de gases do aquecimento global, congestionamentos, acidentes, sobrecarregamento do espaço e limitação do fluxo aumentaram.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para melhorar a condição de deslocamento da população. É fundamental, que o Ministério da Infraestrutura faça uma parceria com as empresas de veículos coletivos e amplie as rotas exclusivas para ônibus, ciclovias e metrôs com preço acessível à todos. Essa ampliação das faixas ocorreria com subsídios estatais e o baixo preço de uso seria consequência dos incentivos às companhias, com a redução de impostos. Dessa forma, aos poucos, o uso de carros diminuiria e o de modais alternativos cresceria, o que acarretaria na melhoria da rotina de pessoas que assim como as de “130 km - Vida ao extremo” precisam percorrer longos trajetos cotidianamente.