A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/05/2020
Em 1950, no governo de Washington Luis, deu-se início a implantação da política rodoviarista no país. A priorização do modal rodoviário foi mantida nas décadas subsequentes, e ganhou força no governo de Juscelino Kubitschek, quando intensificaram-se os investimentos em rodovias e estradas com o objetivo de integrar as regiões e atrair empresas automobilísticas ao país. Contudo, o crescente número de automóveis nas ruas não foi acompanhado pela ampliação das vias, o que acarreta na atual crise na mobilidade urbana. Com isso, convém analisar os prejuízos decorrentes da herança histórica supracitada, os quais comprometem não apenas o bem estar da população, como também contribuem para as crescentes taxas de poluição do meio ambiente.
Inicialmente, é necessário destacar que a falta de planejamento urbano e de políticas públicas específicas para aumentar a oferta de meios de transporte viáveis resulta na busca pelo transporte individual, o que acarreta nos congestionamentos das vias e na consequente dificultação do deslocamento nas cidades. Prova disso é a pesquisa realizada pelo IBOPE em 2015, em que 83% dos entrevistados alegaram que não optariam pelos automóveis caso alternativas de transporte público atendessem às suas expectativas. Tendo em vista essa informação, revela-se a premência de investimentos do governo no setor da mobilidade urbana, visando amenizar a insatisfação popular e atender às crescentes demandas da população.
Outrossim, convém destacar que, além de prejudicar o deslocamento intra-urbano, a alta concentração de veículos automobilísticos contribui para a poluição atmosférica. Quanto a isso, destaca-se que, segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente, os carros são responsáveis por 72,6% das emissões de gases efeito estufa, causadores de danos irreversíveis de deterioramento ambiental. Desse modo, urge a ampliação de meios de transporte sustentáveis nas cidades, o que será possível apenas com investimentos governamentais que garantam uma infraestrutura favorável a sua utilização.
Portanto, é evidente a premência de medidas que favoreçam a mobilidade urbana no país. Assim, é necessário que o Estado amplie a oferta de transporte públicos, por meio de investimentos em projetos a fim de melhorar a qualidade do serviço, com o objetivo de diminuir o número de automóveis nas vias e mitigar a ocorrência de congestionamentos. Além disso, é preciso que o Ministério do Transporte, em parceria com a mídia, promova a utilização de meios de transporte sustentáveis, tais como as bicicletas, por meio de campanhas educativas e da divulgação de dados à população, para que sejam conhecidos os impactos da alta concentração de veículos nas cidades. Dessa maneira, poder-se-á transpor a crise na mobilidade urbana brasileira.