A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/04/2020
A Primeira Revolução Industrial, que chegara tardiamente ao Brasil,provocou um grande fluxo de êxodos rurais que exigiram,principalmente das grandes cidades brasileiras,a introdução de diversos meios de transporte para facilitar a mobilidade populacional.Nesse ínterim,contudo,o surgimento de uma crescente crise na mobilidade urbana passou a prejudicar a qualidade de vida dos cidadãos e do transporte público.Sob essa ótica,cabe analisar,sobretudo,que não só o advento da cultura de valorização ao carro,bem como a falta de políticas que promovam a expansão e a manutenção da frota de veículos governamentais contribuem para a persistência desse quadro deletério.
Nessa perspectiva,vale ressaltar que as políticas implantadas por Juscelino Kubitschek, ao priorizarem a expansão do modal rodoviário,culminaram na formação da “cultura do carro”,uma vez que se tornou símbolo de superioridade social possuir esse tipo de transporte,como evidenciado nas propagandas da época.Essa lógica é comprovada pelo conceito do “fetiche da mercadoria” desenvolvido por Karl Marx, tendo em vista que boa parte da população, ao ser influenciada por esse ideal consumista, coloca seus prazeres materiais à frente do bem-estar social.Em consequência disso,ocorre a popularização de um estigma preconceituoso acerca dos modais coletivos,visto que esse passa a ser reconhecido,muitas vezes,como reservado às pessoas menos privilegiadas,o que ocasiona sua desvalorização social e potencializa o individualismo econômico.Dessarte,vê-se que o engajamento social tem importante papel na modificação de tal realidade.
Outrossim,é importante salientar a negligência governamental frente a essa problemática,já que são escassas as políticas públicas que atuam na resolução da problemática.Sob essa perspectiva, o Orçamento Federal, de acordo com dados divulgados pela União em 2019, destinou menos de 1% de seus investimentos para a melhoria da mobilidade urbana.Nesse viés, a falta de recursos estatais se relaciona diretamente com a perpetuação desse impasse, já que propicia, em muitos casos, a precarização da frota de ônibus e de metrôs,o que compromete a qualidade do serviço disponibilizado pela esfera pública no atual cenário.Portanto, fulcral a alteração dessa realidade prejudicial.
Destarte,com o fito de reestruturar e ampliar a frota de ônibus e metrôs nas zonas urbanas brasileiras,urge que o Ministério da Infraestrutura,por meio da criação de um órgão,atue na melhoria da administração dos recursos econômicos e dos transportes coletivos - o que seria facilitado por parcerias público-privadas.Ademais,faz-se necessário que a população se conscientize a fim de garantir o bem comum.Desse modo,o ir e vir na sociedade brasileira será garantido,em vista da valorização substancial dos transportes públicos coletivos irá mitigar a crescente crise que remonta à Revolução Industrial.