A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/04/2020
Historicamente,o famoso plano desenvolvimentista de Juscelino Kubstchek, conhecido como 50 anos em 5 ,foi o grande responsável pelo estímulo desenfreado à construção de rodovias associado à concessão de crédito para a compra de automóveis.Hoje,como herança desse falso progresso urbanístico ,tem havido uma crescente crise da mobilidade urbana brasileira ,a qual é representada por um modal de locomoção pouco diversificado e pela oferta precária de transporte público.
Nesse contexto,é preciso discutir ,inicialmente,a homogeneidade das formas de deslocamento de pessoas e produtos,a qual se dá ,predominantemente,pela utilização quase exclusiva de rodovias.Tal fato é resultante da pouca diversificação de modais ,causada por anos de desvalorização e subutilização de hidrovias e ferrovias ,as quais poderiam contribuir ,significativamente ,para a melhoria da mobilidade urbana.A prova disso é que,segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), 90% dos passageiros e 60%das mercadorias utilizam as rodovias .Dessa forma ,é urgente que os Órgãos Públicos estabeleçam investimentos para uma maior diversificação dos meios de locomoção,reduzindo a atual crise urbanística.
Além disso, vale debater a problemática representada pela oferta insatisfatória de transporte público .Tal questão abrange não só a quantidade insuficiente de coletivos que é disponibilizada como também o alto valor cobrado pelas tarifas.Esses fatores ,já evidenciados pelo portal da revista Examecontribuem negativamente com a defasada mobilidade urbana,uma vez que estimulam o uso de veículos individuais pela população ,incrementando ainda mais os congestionamentos quilométricos .Assim faz-se necessária uma atuação mais ativa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes associado à Agência Nacional de Transportes Terrestres,a fim de aumentar a oferta de ônibus e desonerar as tarifas cobradas.
Logo,diante das problemáticas que envolvem a crescente crise da mobilidade urbana brasileira, é necessário que o Ministério dos Transportes desenvolva um projeto de diversificação de modais,a longo prazo, por meio da reestruturação progressiva de ferrovias e do desenvolvimento de hidrovias , a fim de promover um maior equilíbrio na utilização das diferentes formas de deslocamento.Acrescenta-se ,ainda , a importância da ação conjunta entre o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes e a Agência Nacional de Transportes terrestres ,a partir do auxílio do Poder Executivo ,no aumento da disponibilização de coletivos e na redução das referidas tarifas .Dessa forma a herança do falso progresso urbanístico citada não mais fará parte do panorama social brasileiro.