A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/04/2020

O governo brasileiro sempre priorizou o transporte que sobrecarrega o transito das cidades. Segundo dados da consultoria NTC e Logística o Brasil tem cerca de 2 milhões de caminhões, 300,000 em excesso. Além disso, possui, segundo dados do instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE), um carro para cada 4,4 habitantes. Tal número revela a prioridade dos governantes passados: construir um Brasil rodoviário. A matriz de transporte brasileira se forma em dois períodos principais, no tempo do império, tendo como figura principal o Barão de Mauá, e no governo do presidente Juscelino Kubitschek. O periodo atual e caracterizado pela tentativa de remediar tais escolhas.

No período do império, o barão de Mauá procurou desenvolver no Brasil uma malha ferroviária que, além de escoar os produtos produzidos no sudeste para os portos do Brasil, pudesse  unir as diferentes regiões. No entanto, os constantes embargos aos seus projetos permitiu apenas a construção de ferrovias suficientes para escoar a produção do sudeste para as zonas portuárias.. Desse modo, começa a se configurar um Brasil de grandes dimensões, cujos produtos não serão transportados por locomotivas, mas por caminhões que, em poucos anos, iria sobrecarregar as estradas.

Após o governo de Getúlio Vargas, o presidente Juscelino Kubitschek prosseguiu investindo em rodovias e nos transportes automobilísticos. Esse período é marcado pela presença de empresas estrangeiras no Brasil. Tal situação criou a necessidade de mais estradas, pois, para impulsionar as vendas das multinacionais, é preciso o mínimo de infraestrutura. Nesse contexto, o momento é marcado pela consolidação do Brasil como um pais rodoviário.

Hoje, procurando resolver os problemas advindos das escolhas passadas, os governos investem em conduções capazes de desafogar o sistema viário. O número excessivo de carros nas grandes cidades impõe aos governos campanhas que incentivem o transporte público, e  em algumas cidades impõe medidas radicais, como o rodízio. Como mais uma tentativa de contornar os erros do passado, os governantes investem em ciclovias, pois são  uma alternativa às vias superlotadas.

Percebe-se, portanto, que a prioridade brasileira sempre foi investir nas rodovias, faltou um planejamento futuro, que considerasse o crescimento das cidades e o meio mais eficiente para locomoção. Os problemas da multiplicação das rodovias, não será resolvido com medidas instantâneas. Porém, é preciso que os administradores e agentes políticos, com auxílio de engenheiros, repense a matriz de transporte brasileira. Ademais, cabe aos governantes Incentivar o compartilhamento de automóvel, reduzir o preço de outros meios de transporte e tornar accessível as tarifas do transporte urbano. Medidas que podem reduzir os transtornos do transito brasileiro.