A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/04/2020
A mobilidade é algo tão essencial que suas vantagens são capazes de alterar o rumo de uma guerra, pois, durante a Guerra Civil Americana, os estados do norte obtiveram uma imensa vantagem devido a uma grande malha ferroviária, a qual interligava acampamentos militares e capitais. Sob essa óptica, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira gera enormes malefícios, cujos principais são: uma poluição desnecessária e prejuízos ao bem-estar emocional. Logo, o Governo deve realizar, urgentemente, medidas as quais visem à melhoria do deslocamento de pessoas e de mercadorias nesse meio.
Em primeira análise, nota-se que, durante congestionamentos (os quais são, indubitavelmente, frutos de uma mobilidade urbana deficiente), os automóveis permanecem parados por mais tempo e, desse modo, os motores, que, no geral, continuam ligados nessas situações, emitem mais gases poluentes e prejudicam o clima local. Afinal, observa-se uma grande relação entre a intensidade do fenômeno científico denominado de “ilha de calor”, no qual uma área, devido às ações antrópicas, possui uma temperatura mais elevada que as regiões próximas a ela, e a ineficácia da mobilidade urbana. Nessa perspectiva, a ineficiência do deslocamento em cidades está muito atrelado a transportes públicos de baixa qualidade, os quais, obviamente, incentivam cidadãos à comprarem um automóvel particular, ação que, ao somar todos os novos veículos, sobrecarrega as vias públicas.
Ademais, Byung Chun-Han, célebre sociólogo contemporâneo, em seu livro “A Sociedade do Cansaço”, disserta sobre como, os indivíduo, após a Revolução Técnico-Científico-Informacional, passaram a apresentar mais facilmente um quadro caracterizado por problemas emocionais (como a ansiedade e a depressão), os quais, segundo ele, ocorrem, principalmente, devido a exaustão da vida moderna. Desse modo, pode-se dizer a falta de mobilidade urbana contribui para o surgimento de problemas emocionais, pois os congestionamentos, que tendem a ocorrer no horário de fim de expediente da maioria da população, geram exaustão e estresse nos trabalhadores. Logo, investir em deslocamento nas cidades, é também prevenir gastos governamentais com transtornos psicológicos.
À luz de tais considerações, fica claro que a ineficácia da mobilidade urbana deve ser combatida. Então, cabe ao Estado, a realização de investimentos no transporte público, por meio de parcerias entre empresas desse meio e o Governo, aliada a utilização de capital do Fundo de Seguridade Social (reserva destinada a conter situações que geram problemas sociais), com o fito de melhorar o transporte público para desestimular o uso de veículos particulares, que prejudicam o deslocamento nas cidades. Desse modo, o Brasil terá, como os estados nortistas, vantagens de uma boa mobilidade.