A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/03/2020

O sociólogo Émile Durkheim compara a sociedade ao corpo biológico, os quais são compostos por órgãos que trabalham em prol do bom funcionamento do organismo. Nesse contexto, se uma parte paralisa, o corpo adoece. Analogamente, percebe-se a configuração de uma doença refletida na crescente crise da mobilidade urbana. Com efeito, evidencia-se a necessidade de melhorias no que tange a esse male, que persiste influenciado pela mal desempenho do órgão político e social.

A princípio, o automóvel foi uma das principais inovações da Segunda Revolução Industrial, porém apenas uma pequena parcela da sociedade tinha acesso, por causa do alto custo. Hodiernamente, tendo em vista as facilidades de crédito, o número de carros comprados aumentou acentuadamente, logo a mobilidade urbana entrou em crise. Dessa maneira, dentro do órgão político, é notória a falta de políticas públicas de infraestrutura no que concerne ao investimento na qualidade dos transportes públicos e na criação de ciclovias e ciclofaixas para reduzir o caótico problema em questão.

Consoante o economista Ludwig von Mises, o homem quando em liberdade tende a agir buscando a maximização de sua felicidade. De fato, realizar o deslocamento no conforto do automóvel privado é mais prazeroso do que pelo uso da bicicleta ou do ônibus. Sob essa ótica, no órgão social, deve haver algo que incentive o indivíduo a fazer o uso destes em detrimento daqueles. Para isso, é indubitável a ação do governo e da mídia nesse processo.

Portanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura a criação de uma campanha chamada “Vias Abertas”, na qual deve ser realizada na preparação de uma ampla infraestrutura de ciclovias e ciclofaixas e, também, um investimento na qualidade dos transportes públicos, mediante a parceria com as secretarias responsáveis de cada estado, no intuito de estimular o uso desses dois sistemas. Outrossim, a mídia deve demonstrar os benefícios para a saúde do uso da bicicleta.