A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/06/2020

De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês falecido em 2017, a velocidade é a principal marca dos dias de hoje. Nesse sentido, a rapidez que caracteriza a pós-modernidade afeta negativamente diversos aspectos da vida cotidiana, dentre eles, a crescente crise na mobilidade urbana no Brasil. Um grande reflexo da atual conjuntura é o alarmante aumento de carros, bem como a precariedade na diversificação dos modais de transporte nas regiões urbanas. Logo, é imperativo que o poder público e a sociedade se unam para enfrentar esse problema.

Foi no Governo de Juscelino Kubitschek, meados do século XX, através do plano de metas, que se deu o maçante investimento nas malhas rodoviárias e isso ocasionou um impacto direto no aumento do consumo por carros. Desse modo, percebe-se que esse aumento gerou um desequilíbrio na mobilidade. A principal consequência é em relação aos grandes engarrafamentos e a elevada contribuição desses veículos com a poluição do meio ambiente gerando problemas para população pela emissão de gases poluentes. Logo, é fundamental que ocorram incentivos públicos no combate a esses problemas enfrentados devido ao desequilíbrio no que tange a locomoção nas cidades.

Outrossim, é possível identificar a precariedade de diversificação dos modais utilizados no Brasil e como esse aspecto influência diretamente na aquisição de um veículo para se locomover de forma mais eficaz e rápida. Porém, com esse aumento desenfreado nos centros urbanos a famigerada rapidez ficou de lado pelos grandes engarrafamentos ocasionados atualmente. A insuficiência de investimento na variedade de meios de transporte oferecidos a população dificulta a locomoção e atingindo o direito de ir e vir consagrado na Constituição Federal de 1988. A escassez de implementação de metrô, faixas exclusivas de ônibus e ciclovias é uma das principais causas da crise da mobilidade urbana. Dessa forma, é necessário o investimento de medidas de incentivo na variedade dos modais.

O desincentivo na compra de carros aliada a diversificação dos modais nos centros urbanos são, portanto, os caminhos que precisam ser trilhados pela sociedade objetivando a melhoria na mobilidade urbana no Brasil. Para tanto, é preciso que o Ministério da Infraestrutura conjuntamente com empresas publicitárias forneçam a população campanhas que promovam o incentivo a locomoção por meio de transportes públicos ou alternativos, como a bicicleta, com o intuito de reduzir a quantidade de veículos nas ruas e consequentemente reduzir a geração de poluentes. Ademais, é necessário que se estabeleça uma parceria entre o Governo Federal, Estadual, Municipal e empresas no sentido de criar faixa exclusivas para ônibus e ampliar ou construir metrô nos centros urbanos com o objetivo de desafogar o trânsito e gerar qualidade de vida para a população.