A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 25/10/2019

O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne a mobilidade urbana, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente no trânsito, principalmente, das grandes cidades brasileiras. Com isso, urge refutar os impasses desse desequilíbrio social, como o descaso urbanístico das autoridades governamentais em simetria com a má qualidade das locomoções coletivas, com o fito de promover o direito de ir e vir de forma adequada aos cidadãos brasileiros.

Sob esse viés, destaca-se que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas dessa problemática. Segundo Aristóteles, a política deve ser aplicada, de modo que, por meio da justiça, a sociedade atinja o equilíbrio. Consoante ao filósofo, infere-se que a falta de ciclovias nas cidades rompe com essa harmonia, haja vista que apesar da Constituição assegurar uma estrutura urbana digna à mobilidade de todos, a acentuada maioria dos municípios brasileiros não apresentam o espaço apropriado para as vias alternativas. Logo, esse cenário contribuem para coletivos lotados e desagradável acomodação de seus passageiros.

Paralelamente a isso, sobressai a falta de qualidade nos transportes públicos como estímulo para a perpetuação de um trânsito caótico. De acordo com as estatísticas do IBOPE, 83% dos entrevistados de capitais, como São Paulo, optariam pelo deslocamento mediante ônibus caso o transporte oferecesse qualidade atraente, como poltronas confortáveis, ar condicionado, entre outros. Contudo, a inexistência de quesitos, como os mencionados, contribui para um maior número de carros nas avenidas que dificulta o fluxo de automóveis diariamente. Portanto, faz-se necessário políticas públicas para inverter o panorama presente.

Destarte, entende-se que a contínua desarmonia na mobilidade brasileira é fruto da negligência governamental somada ao desconforto do transporte coletivo. Assim, emerge-se imperativo que o Ministério das Cidades imponha a construção de ciclovias em municípios com alta circulação no trânsito, por meio de decreto legislativo e fornecimento de verba, a fim de permitir o acesso das vias alternativas de forma segura aos cidadãos. Ademais, compete as empresas do transporte público modificar a estrutura dos ônibus, mediante estofamento das poltronas e sistema de refrigeração, para simultaneamente, aumentar a procura pelo deslocamento coletivo e diminuir a presença de carros nas ruas. Desse modo, a mobilidade urbana alcançará, gradativamente, o equilíbrio no país.