A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 25/10/2019

O Brasil deixou de ser um país rural com uma população de 1.5 milhão de habitantes durante o reinado de D.Pedro II para um país urbano com cidades de milhões de habitantes na atualidade, apresentando um crescimento desordenado e caótico. As consequências são visíveis, ruas e avenidas feitas para comportarem um trafego pequeno ou médio são forçadas a comportarem uma quantidade infinitamente maior de veículos, não conseguindo dar vazão ao fluxo. Essa situação ainda é amplificada pela qualidade deplorável do transporte público que, consequentemente, favorece o uso de carros aumentando ainda mais o número de automóveis nas vias.

Com exceção das poucas cidades planejadas no país, o crescimento urbano nacional sempre se deu de maneira desorganizada. A cidade do Rio de Janeiro é um exemplo perfeito desse tipo de expansão urbana: o aumento da população leva a um aumento do preço dos imóveis o que força a população de menor renda a se deslocar para as zonas periféricas sem infraestrutura para que então a prefeitura atenda as demandas imediatas da população sem considerar os possíveis desdobramentos da cidade, recomeçando o ciclo. Consequentemente, a falta de planejamento na expansão urbana leva a criação de uma malha urbana caótica, pouco eficiente e que no futuro não dará conta da demanda.

Adicionalmente, o transporte público ineficiente agrava ainda mais a situação. Reportagens sobre a superlotação de metrôs e ônibus nos grande centros são muito comuns, de acordo com o IBOPE 59% dos ônibus em São Paulo estavam circulando com mais pessoas do que foram feitos para comportarem. por exemplo. Consequentemente, há um incentivo indireto ao uso dos carros, que apresentam um conforto muito maior, agravando o problema pois um carro transporta em sua capacidade máxima cinco pessoas ocupando metade da área de um ônibus, que sozinho transporta oito vezes mais passageiros .

Entretanto, é possível adotar medidas que contribuem diretamente para a redução da crise da mobilidade. Primeiramente, é imperativo que o governo federal compreenda a importância de garantir o direito constitucional da moradia a seus cidadãos, tendo em vista que o elevado preço das casas é o principal responsável para a expansão desordenada das cidades. Além disso, é necessária uma revisão nas políticas de expansão das vias pelas prefeituras municipais, priorizando a construção de ciclovias e a criação das zonas de exclusão de carros, comuns na Europa, visando estimular o uso das bicicletas e do transporte coletivo, evitando a desapropriação de casas (como ocorrido no Morro do Castelo para a criação do Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro) e a criação de soluções temporárias que apenas mitigam o problema, além de estimular uma melhora na qualidade dos serviços de transportes públicos.