A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/10/2019

No livro “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor preconiza, uma vez que a mobilidade urbana brasileira está em crescente crise e apresenta barreiras, as quais dificultam a aproximação como mundo idealizado por More. Sob esse viés, a incúria Estatal e o comodismo social são potencializadores do impasse.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que na Constituição Federal de 1998, o direito de ir e vir está assegurado a todos cidadãos e estrangeiros residentes no país, mas para que seja efetivado de modo pacífico e fluido, é necessário prestações positivas do Governo. Entretanto, a precarização do transporte público coletivo e a baixo incentivo aos meios de locomoção alternativos, como a bicicleta, incentivam as pessoas a adquirirem mais carros e motos. Isso ficou evidente em um pesquisa divulgada pelo jornal G1, onde constatou que em 2004 contia 7,5 habitantes por veículo e que em 2014 passou para 4 habitantes por unidade móvel. Diante a perspectiva, pode-se elencar, também, o aumento de gases poluentes decorrente da aquisição e utilização de veículos automotores, que prejudicam o meio ambiente e saúde pública.

Além disso, atitudes com alta repetitividade na sociedade tendem a permanecer se nada for feito, o que faz jus às palavras da socióloga Hannah Arendt, de que “quando uma atitude agressiva é reproduzida várias vezes na sociedade, as pessoas param de vê-la de como errada”. Defronte a esse pensamento, é evidente que se deve ter uma transformação na atitudes humanas quanto ao gerenciamento de seus meios de transportes para que a crise de mobilidade urbana não se perpetue. Nesse sentido, é necessário que as pessoas mudem seus comportamentos no trânsito e optem por meios mais ecologicamente correto, pois de acordo com o filósofo George Bernard, " não há progresso sem mudança".

Urge, portanto, que a sociedade civil mais esclarecida exija que o Estado saia da inércia. Este, por sua vez, através do Ministério de Infraestrutura, deverá, com finalidade de incentivar a população de uso de transportes mais saudáveis e limpo, promover intervenções sociais, voltadas a toda população, regidas por ambientalistas e engenheiros ambientais, profissionais especialistas na área, abertas em locais públicos como escolas, teatros e auditórios. Ademais, deverá ser ampliados números de ciclovias e melhora na acomodações dos transportes públicos. Feito isso, essas ações contribuirão para aproximar o mundo idealizado por Thomas More em sua obra “Utopia”.