A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 24/10/2019
No século XVI, durante o processo de colonização, os desafios da mobilidade no Brasil eram carregados de entraves, em relação à exploração territorial, pois com baixos recursos tecnológicos, a locomoção era uma ação trabalhosa. No século atual, apesar dos inúmeros avanços científicos, a mobilidade enfrenta outros problemas, principalmente em meio urbano, onde apresenta elevada concentração de veículos de transporte. Isso se deve, entre outros fatores, à negligência governamental e ao crescente sentimento individualista na comunidade civil.
Em primeira análise, é importante ressaltar a ineficaz ação governamental em desenvolver mecanismo de otimização para a locomoção de veículos nos principais centros urbanos. Nesse sentido, conforme dado publicado pelo jornal “BBC Brasil” em 2018, mais de 40% da população utiliza carros particulares em decorrência do precário serviço de transporte público ofertado aos cidadãos, comprovando a ineficiência do Estado ao não cumprir, integralmente, o artigo sexto da Constituição Federal de 1988, afirmando que todos têm direito ao transporte de qualidade. Sob tal ótica, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população e pela efetiva aplicação da lei.
Em segunda análise, não há como desconsiderar, que o individualismo exercido pela comunidade civil também é parte integrante da problemática. Segundo o pensamento marxista, o sentimento individualista civil acarreta em diversos prejuízos para a sociedade. Nesse sentido, segundo dado publicado pelo jornal “Estado de S. Paulo” em 2019, há um carro para cada três pessoas na capital paulista, fato que reafirma as ideias de Marx, pois a sociedade é prejudicada, tanto pela elevada concentração de veículos, como com o aumento da emissão de gases poluentes, que conforme dado publicado pela “Superinteressante” em 2019, um cidadão que caminhe pelo centro da cidade de São Paulo, inala toxinas que correspondem a 2 cigarros, diariamente. Nessa perspectiva, é notório a necessidade de modificar o pensamento social para o bem de todos.
Desse modo, torna-se evidente a necessidade de impor ações governamentais e a inserção do consciente coletivo para melhorar a mobilidade urbana no país. Para isso, o Governo Federal, como maior competência administrativa, deve executar com integridade os artigos da Constituição que correspondem ao bem-estar e ao transporte de qualidade a todos, por meio de projetos de integração social e o desenvolvimento de melhores meios de transporte público, a fim de proporcionar à sociedade civil maior participação nos debates de melhoria e inserção do cidadão nos centros urbanos, através de campanhas de incentivo à utilização de mobilidade coletiva e ao aumento de frotas.