A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/10/2019

No livro “Homo Deus: uma breve história do amanhã”, o autor, Yuval Noah Harari, comenta como as inovações tecnológicas podem interferir na mobilidade urbana. Nesse contexto, nota-se que, no Brasil, a crescente crise envolvendo a movimentação dos cidadãos apresenta causas mais arcaicas. Nessa circunstância, uma herança histórica do rodoviarismo é responsável pela atual situação do trânsito no país e tem como consequência graves impactos ambientais.

Primeiramente, é importante mencionar que a herança do rodoviarismo é agente da crise na mobilidade urbana. Na década de 1950, durante o Governo de Juscelino Kubitschek, o país focou no modal rodoviário por meio da construção de estradas. Essa ação resultou em um não aproveitamento do potencial brasileiro para os transportes ferroviários e hidroviários, levando em conta a extensão continental do Brasil, seus numerosos rios e seu grande litoral. Por conseguinte, há uma sobrecarga do transporte pelas estradas que resulta em uma dificuldade de locomoção.

Em segundo lugar, o crescente número de veículos e os inúmeros congestionamentos são responsáveis por impactos ambientais. Segundo dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), os automóveis são responsáveis por cerca de 73% de toda emissão de gases do efeito estufa (GEE) da cidade de São Paulo. Ademais, a fumaça emitida pelos escapamentos também contém óxidos ácidos causadores da acidificação das chuvas. Nessa continuidade, é evidente que essa crise não envolve só a mobilidade das pessoas como também afeta negativamente a natureza.

Fica claro, portanto, que heranças políticas são responsáveis pela crescente crise na mobilidade urbana, e esta é causadora de impactos no meio ambiente. Para resolver essa problemática, o Ministério de Infraestrutura deve investir na diversificação dos modais de transporte, ao possibilitar um transporte de cabotagem e uniformizar o tamanho das bitolas das ferrovias, no intuito de atenuar os problemas de mobilidade dos cidadãos e, por consequência, reduzir os impactos ambientais.