A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/10/2019

O governo de Juscelino Kubitschek foi permeado por políticas que incentivavam a indústria automobilística e a construção de rodovias por todo território nacional, a longo prazo, essa diretriz fomentou uma cultura de predileção por automóveis que reverbera a saturação do trânsito brasileiro.Por conseguinte, é notório que a atual crise de mobilidade urbana tem raízes históricas e se constrói pela ingerência estatal, em vista disso, é necessário um melhor engajamento do Estado a fim de resolver essa questão. Ademais, a ausência da diversificação dos modais e a centralização de atividades econômicas e culturais são fatores indispensáveis para se entender o cerne da crise.

Em primeiro plano, a crise na mobilidade urbana é um desdobramento do rodoviarismo implementado por JK, uma vez que, tal política priorizou o modal rodoviário e restringiu as várias formas de locomoção. Decerto, o rodoviarismo foi um equívoco desse governo, pois atualmente é facilmente perceptível que o modal rodoviário é incompatível com a extensão territorial do Brasil e com a necessidade de deslocar um grande número de pessoas em um curto espaço, a exemplo das rodovias de São Paulo.Desse modo, a crise de mobilidade urbana é um reflexo da ausência da diversificação e integração de modais.

Outrossim, a centralização de atividades econômicas e culturais nas metrópoles ou grandes centros urbanos é responsável pelo congestionamento do trânsito, visto que, a segregação socioespacial obriga moradores da periferia a se de deslocaram diariamente em direção aos polos de trabalho e cultura.Sob esse prisma, a analogia de Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre ilustra bem essa segregação socioespacial, onde os centros urbanos exercem o papel da casa grande e a periferia o da senzala.Dessa forma, a superação da deficiência na mobilidade urbana requer não apenas um intervenção estrutural mas também social.

Em suma, é essencial que o Estado tenha uma postura engajada frete aos problemas de mobilidade no Brasil. Dessarte, cabe ao Ministério dos Transportes investir na integração dos modais, por meio da elaboração de uma bilhete único que permita o uso de ônibus, metrô e bicicletas por uma taxa única, com o fito de tornar mais atrativo o uso desses transportes coletivos em detrimento do carro particular. Além disso, faz-se fulcral uma reforma urbanística, realizada pelo Estado, com o fito de reduzir os movimentos pendulares e, portanto, o tráfego intenso de veículos. Assim ter-se-á a redução da crise de mobilidade urbana.