A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/10/2019

O escritor modernista Carlos Drummond de Andrade no  poema “No meio do caminho” traz a metáfora da pedra no percurso, com o intuito de fazer analogia aos obstáculos da existência. Assim, a crise da mobilidade urbana também tem se mostrado um grande empecilho para a sociedade brasileira. De modo que, ela resulta de um contexto histórico e da ausência de políticas públicas efetivas.

De fato, o Brasil teve um expressivo salto na urbanização no final do século XIX,que se intensificou ainda mais na segunda metade do século XX, com governos de Juscelino Kubitschek, governos militares, dentre outros. De forma que, em toda essa conjuntura o que predominou foi o crescimento de cidades sem um planejamento prévio, sob forte influência do modal rodoviário. Dessarte, hodiernamente, grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro deixam, cada vez mais, seus habitantes a mercê do estresse diário ao passarem horas no trânsito caótico, pois a estrutura urbana não é capaz de se adequar à grande quantidade de veículos que circula diariamente.

Ademais, é crucial ressaltar que exemplos de sucesso de mobilidade urbana como os EUA e a Holanda investem massivamente na flexibilização de modais, possibilitando também um transporte público de qualidade. Por esse viés, ônibus e metrôs são atrativos à população, contribuindo ,desse modo, para a redução do uso de veículos. Bem como, há a expansão de ciclovias, como uma opção saudável e não poluente. Não obstante, o cenário brasileiro ainda está distante do ideal, pois em grande parte das cidades os transportes públicos não oferecem o conforto adequado a população, estando sempre lotados e muitos em condições precárias.

Em suma, a problemática instaurada urge em ser combatida, pois tem afetado a qualidade de vida da população como um todo. Para tanto, é necessário que o governo, em todas as suas instâncias (municipal, estadual e federal), se una ao Ministério dos transportes e demais competentes, para que, junto à parceria público-privada, haja um maior investimento na ampliação e melhora dos transportes coletivos. De maneira que, associado a isso haja a realização de fóruns em universidades e escolas, com o auxílio de professores, engenheiros de tráfego, sociólogos, dentre outros, com o intuito de conscientizar a respeito da questão e de buscar conjuntamente ideias para reestruturar as cidades. Só desse modo a pedra no meio do caminho poderá ser retirada.